Autor Arquivo: PROF. DR. OZIMO GAMA

Laparoscopic Surgery for Morbid Obesity

The morbid obesity epidemic continues to spread throughout industrialized nations. It is a condition with a heterogeneous etiology, including genetic, psychosocial, and environmental factors. Prevention methods have currently been unable to halt the further spread of this disease. Obesity has been linked to increased healthcare costs, common physiologic derangements, reduced quality of life, and increased overall mortality. More than one third of adults and almost 17% of children in the United States are obese.

Medical therapy that can cause sustained significant weight loss may be years away. Bariatric surgery, when combined with a multidisciplinary team, continues to be the only proven method to achieve sustained weight loss in most patients. Bariatric procedures modify gastrointestinal anatomy and, in some cases, enteric hormone release to reduce caloric intake, reduce absorption, and alter metabolism to achieve weight loss. Currently, the three most common bariatric operations in the United States are Roux-en-Y gastric bypass, adjustable gastric band, and the vertical sleeve gastrectomy.

LAPAROSCOPIC SURGERY FOR MORBID OBESITY

GOSSIPIBOMA

O Inimigo Oculto no Bloco Operatório e o Desafio Médico-Legal na Cirurgia Digestiva

Autor: Prof. Dr. Ozimo Gama (Tempo de Leitura: 11 minutos)

Introdução

No vasto e complexo universo da cirurgia do aparelho digestivo, poucos eventos adversos geram tanta perplexidade clínica e devastação médico-legal quanto o “gossipiboma”. O termo deriva do latim Gossypium (algodão) e do swahili boma (esconderijo), designando uma matriz de matéria têxtil envolvida por uma reação de corpo estranho. Também apelidado de “textiloma”, o seu primeiro caso foi descrito por Wilson em 1884. Embora gazes e compressas sejam as ferramentas mais básicas de qualquer laparotomia, o seu esquecimento no interior da cavidade abdominal transforma um material de hemostase num tumor iatrogénico. A incidência real dos gossipibomas é subnotificada — primariamente devido ao estigma e às pesadas implicações legais da sua deteção —, mas representa uma falha catastrófica nos protocolos de segurança do bloco operatório. Para o cirurgião e para toda a equipa, compreender a fisiopatologia, os fatores de risco e, sobretudo, os métodos de prevenção desta entidade é um dever ético inegociável.

Epidemiologia e Fatores de Risco

Estima-se que a retenção de material têxtil ocorra numa frequência de 1 a cada 1.000 a 1.500 operações intra-abdominais. A cavidade abdominal e pélvica é, de longe, o “esconderijo” mais comum devido à sua vasta anatomia e aos recessos profundos.

O gossipiboma não é um mero fruto do acaso; ele prospera no caos. A literatura científica identifica fatores predisponentes cruciais:

  • Cirurgia de Emergência: A incidência é nove vezes maior nestes cenários.
  • Mudança de Tática Intraoperatória: Alterações não planeadas no decorrer da intervenção elevam o risco em quatro vezes.
  • Fatores do Doente e do Ambiente: Doentes com obesidade mórbida, perdas hemáticas maciças que exigem tamponamento rápido, tempo operatório prolongado e, criticamente, a troca de turnos do pessoal médico e de enfermagem (instrumentistas e circulantes) durante o ato cirúrgico.

Fisiopatologia e Evolução Clínica

O relógio biológico do gossipiboma é imprevisível. O tempo entre a operação primária e as manifestações clínicas pode variar de meros 10 dias a várias décadas. A patologia manifesta-se essencialmente através de duas reações orgânicas distintas:

  1. Resposta Assética Fibrinosa (Crónica): O material têxtil, se permanecer estéril, induz a produção de fibrina, originando aderências e o encapsulamento do corpo estranho (granuloma). O doente pode permanecer completamente assintomático durante anos, ou apresentar queixas inespecíficas e uma massa abdominal palpável que mimetiza uma neoplasia.
  2. Resposta Exsudativa (Aguda): Ocorre uma infeção secundária severa, culminando na formação de abcessos e fístulas. O material retido tenta encontrar uma via de exteriorização, podendo fistulizar para órgãos internos (estômago, intestino, cólon, bexiga) ou formar uma fístula externa na parede abdominal. Nestes casos, o doente apresenta um quadro florido: dor abdominal, náuseas, vómitos, febre, sépsis, hemorragia digestiva crómica ou síndrome de má absorção.

Diagnóstico, Tratamento e Prognóstico

A ausência de sintomas precoces ou a sua inespecificidade tornam o diagnóstico um autêntico desafio. O cirurgião deve manter um elevado índice de suspeição perante qualquer massa abdominal num doente com história de laparotomia prévia.

  • O Padrão-Ouro Diagnóstico: A Tomografia Computorizada (TC) de abdómen é o exame de eleição. A imagem clássica revela uma lesão cística de aspeto “espongiforme” (padrão em miolo de pão), uma cápsula hiperdensa em camadas concêntricas e, ocasionalmente, calcificações murais. A presença de gás no interior da lesão sem evidência de perfuração intestinal é altamente sugestiva.
  • Tratamento: A remoção cirúrgica (seja por via laparoscópica em casos altamente selecionados ou laparotomia) é o único tratamento curativo.
  • Prognóstico: A excisão atempada é vital para evitar complicações que elevam a taxa de mortalidade para valores inaceitáveis de 11% a 35%. Se a retenção for crónica, a severidade das aderências pode exigir ressecções intestinais extensas e complexas.

Implicações Médico-Legais e Procedimentos Preventivos

O gossipiboma é indiscutivelmente uma falha grave na prestação de cuidados de saúde (malpractice). Do ponto de vista médico-legal, a responsabilidade é frequentemente partilhada entre o cirurgião principal — o “capitão do navio” — e a equipa de enfermagem responsável pela contagem.

A abordagem definitiva é, e sempre será, a Prevenção. A adoção de protocolos rígidos no bloco operatório salva vidas e carreiras:

  1. Contagem Meticulosa Universal: São mandatárias quatro contagens rigorosas do material cirúrgico: na montagem da mesa, imediatamente antes da incisão, no início do encerramento da aponevrose e durante a síntese da pele.
  2. Material Radiopaco: O uso exclusivo de compressas e gazes equipadas com filamentos radiopacos é obrigatório.
  3. Exploração Ativa: Autores como Dhillon e Park reforçam a necessidade primária da exploração manual e visual dos quatro quadrantes abdominais pelo cirurgião no final do procedimento, independentemente de uma contagem de compressas declarada “correta”.
  4. Conduta Perante Falha na Contagem: Se a contagem final for divergente, a síntese da cavidade não deve ser concluída até que o material seja localizado (a menos que haja instabilidade hemodinâmica crítica). A realização de uma radiografia intraoperatória imediata é mandatária.

Conclusões Aplicadas

O gossipiboma não é uma complicação inerente e aceitável do ato cirúrgico; é uma falha de sistema e de liderança. O aumento aparente da sua incidência exige que os métodos, a comunicação e a disciplina no interior do bloco operatório sejam revistos e aperfeiçoados. Para os jovens cirurgiões e residentes, a mensagem é clara: a cirurgia de excelência não termina na anastomose perfeita, mas sim na verificação obsessiva e no respeito incondicional pelos protocolos de segurança. A verdadeira destreza cirúrgica repousa na humildade de nunca presumir que a cavidade está vazia sem antes a inspecionar exaustivamente.

“A confiança é um sentimento nobre, mas no bloco operatório, a dupla verificação é a única garantia de segurança. Um erro de omissão pode ensombrar o mais brilhante dos procedimentos cirúrgicos.”Aforismo da Segurança do Doente Cirúrgico.

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Abdominal Hernia Surgical EMERGENCIES

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A hernia is a weakness or disruption of the fibromuscular tissues through which an internal organ (or part of the organ) protrudes or slides through. Collectively, inguinal and femoral hernias are often lumped together into groin hernias. Surgery remains the only effective treatment, but the optimal timing and method of repair remain controversial. Although strangulation rates of 3% at 3 months have been reported by some investigators, the largest prospective randomized trial of (watchful waiting) men with minimally symptomatic inguinal hernias showed that watchful waiting is safe. Frequency of strangulation was only 2.4% in patients followed up for as long as 11.5 years. Long-term follow-up shows that more than two-thirds of men using a strategy of watchful waiting cross over to surgical repair, with pain being the most common reasons. This risk of crossover is higher in patients older than 65 years. Once an inguinal hernia becomes symptomatic, surgical repair is clearly indicated. Femoral hernias are more likely to present with strangulation and require emergency surgery and are thus repaired even when asymptomatic. Because this article focuses on incarcerated hernias, nonoperative options are not discussed.

ABDOMINAL HERNIA EMERGENCIES_REVIEW ARTICLE

10 Princípios da interação PACIENTE – CIRURGIÃO

Comunicação, Ética e Segurança na Prática Cirúrgica

Autor: Prof. Dr. Ozimo Gama (Tempo de Leitura: 11 minutos)

Introdução

Quando a perspectiva de uma intervenção cirúrgica se impõe — seja para a ressecção de uma neoplasia gástrica, a correção de uma hérnia complexa ou o tratamento metabólico da obesidade —, o medo, a apreensão e a sensação de perda de controle são reações viscerais e universais do ser humano. A visão da dor, o fantasma das complicações e a entrega do próprio corpo ao bisturi de outrem geram uma ansiedade que a mais avançada tecnologia robótica não é capaz de aplacar. No Brasil, onde realizamos milhões de procedimentos cirúrgicos anualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Saúde Suplementar, estatísticas dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) revelam um dado alarmante: mais de 70% das denúncias e processos ético-profissionais por suposto “erro médico” não nascem de falhas técnicas grosseiras, mas da quebra, deterioração ou inexistência de uma relação médico-paciente sólida e transparente. Para o estudante de medicina e o residente de cirurgia, compreender que a destreza manual deve ser precedida pela empatia relacional é o primeiro passo para a maestria.

Os 10 Princípios da Prática Cirúrgica Ética

Para enfrentar os desafios do perioperatório de forma eficaz e blindar a relação terapêutica contra ruídos e frustrações, estruturamos os 10 princípios fundamentais que regem a interação entre o cirurgião e o paciente:

1. Construção da Confiança Mútua

A cirurgia não é um ato comercial; é um pacto de confiança. O cirurgião deve dedicar tempo qualitativo na consulta, evitando o modelo impessoal e apressado (“medicina de linha de montagem”). Um relacionamento humanizado evita que insucessos terapêuticos se transformem em acusações injustas.

2. Clareza e Transparência na Informação

O consentimento deve ser genuinamente esclarecido, não apenas assinado. É imperativo banir o jargão técnico excessivo. Traduzir a fisiopatologia e o plano cirúrgico para uma linguagem acessível reduz o medo do desconhecido e prepara o paciente e seus familiares para o desdobramento natural do pós-operatório.

3. Alinhamento de Expectativas Realistas

Muitas frustrações cirúrgicas nascem do hiato entre a expectativa do paciente e a realidade biológica. É vital discutir os limites da medicina. Prometer “cura absoluta” ou “risco zero” é uma falácia ética.

4. Avaliação Abrangente de Riscos

O Risco Cirúrgico transcende a avaliação cardiológica (Escore de Goldman ou Lee). A avaliação pré-operatória moderna exige uma visão holística: o estado nutricional, a fragilidade (especialmente em idosos), a sarcopenia e, crucialmente, a saúde mental do paciente devem ser exaustivamente investigados.

5. O Papel Estratégico do Anestesiologista

O ato cirúrgico é indissociável do ato anestésico. A escolha da técnica anestésica (bloqueios, anestesia geral, monitorização multimodal) é uma decisão compartilhada. O cirurgião deve fomentar o encontro pré-operatório entre o paciente e a equipe de anestesiologia para dirimir receios e garantir as melhores práticas.

6. Preparação para Mudanças de Rota (O Imprevisto)

O paciente deve entrar no centro cirúrgico ciente de que a tática operatória pode ser alterada. O consentimento para uma laparoscopia deve invariavelmente incluir a possibilidade de conversão para via aberta. Surpresas intraoperatórias (como invasões tumorais insuspeitas) alteram o prognóstico, o tempo de internação e as necessidades de reabilitação.

7. Documentação Exaustiva e Irretocável

O prontuário médico é a testemunha ocular do cuidado. Detalhes das consultas preliminares, opções terapêuticas recusadas pelo paciente e as orientações fornecidas devem estar meticulosamente registrados. Como já abordamos em nosso artigo sobre o método S.O.A.P., documentação é proteção mútua.

8. Descrição Cirúrgica e Rastreabilidade

A descrição do ato operatório deve ser um relato literário da técnica executada. Além disso, a gestão de peças cirúrgicas (envio para exame anatomopatológico) exige rigor logístico. A falha na identificação ou a perda de uma biópsia é uma tragédia diagnóstica inaceitável.

9. Pós-Operatório: Presença e Cuidado Contínuo

O ato cirúrgico não termina no fechamento da pele. O acompanhamento pós-operatório (na UTI, na enfermaria e no ambulatório) exige a presença física e atenciosa do cirurgião principal. Delegar todo o pós-operatório a terceiros é uma das maiores fontes de ressentimento por parte dos pacientes.

10. Atenção ao Estado Emocional

A instabilidade emocional predispõe a uma resposta inflamatória exacerbada e a uma percepção amplificada da dor. Pacientes com ansiedade severa ou depressão pré-existente exigem suporte psicológico ou psiquiátrico adjuvante para garantir resiliência durante a convalescença.

Aplicação na Cirurgia Digestiva

Na cirurgia do aparelho digestivo, estes princípios encontram aplicação diária e visceral:

  • Na Cirurgia Bariátrica: O alinhamento de expectativas (Princípio 3) é o alicerce do sucesso. O paciente deve compreender que o bisturi altera a anatomia (Restrição/Incretinas), mas não opera a mente. O reganho de peso é uma possibilidade real se não houver adesão multidisciplinar (Princípio 10).
  • Na Cirurgia Oncológica: Informar um paciente sobre a possível necessidade de um estoma (colostomia ou ileostomia) definitivo ou temporário (Princípio 6) exige tato excepcional (Princípio 2). Esconder essa possibilidade para “evitar o sofrimento prévio” destrói a confiança se o paciente acordar com uma bolsa coletora no abdome.
  • Na Cirurgia Biliar e Pancreática: Complicações temidas, como a fístula biliar ou pancreática, devem ser discutidas com transparência empática. Quando a complicação ocorre, a presença diária e incansável do cirurgião à beira do leito (Princípio 9) é o que diferencia o abandono do amparo.

Pontos-Chave para a Prática Diária

  • Comunicação é Procedimento: Trate a conversa com o paciente e a família com o mesmo rigor técnico que você trata a dissecção de um hilo hepático.
  • A Verdade Suportável: Nunca minta, mas adeque a entrega da informação à capacidade de absorção do paciente naquele momento.
  • Consentimento Individualizado: Termos de consentimento (TCLE) padronizados e genéricos não possuem força legal. O TCLE deve espelhar as peculiaridades anatômicas e biológicas do paciente específico.

Conclusões Aplicadas

A ética na cirurgia moderna vai imensuravelmente além da destreza técnica, dos nós bem atados e da ausência de complicações infecciosas. Trata-se do respeito à autonomia daquele que se submete à lâmina. A prática cirúrgica de excelência exige que sejamos peritos em fisiologia e mestres em humanidade. O cirurgião do aparelho digestivo que domina estes 10 princípios navega pelas tempestades de uma fístula anastomótica não como um réu diante de um juiz (o paciente), mas como um comandante ao lado de seu companheiro de naufrágio, trabalhando juntos para alcançar a margem segura da cura.

“O bom cirurgião opera com a mão; o cirurgião brilhante opera com o cérebro; mas o cirurgião extraordinário opera com o coração. O bisturi corta tecidos, mas é a compaixão que cicatriza as feridas da alma.”Adaptado dos princípios humanitários de Sir William Osler, pai da medicina moderna.

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The General Surgery Job Market

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There is a current shortage of general surgeons nationwide. A growing elderly population and ongoing trends toward increased health care use have contributed to a higher demand for surgical services, without a corresponding increase in the supply of surgeons. The number of general surgeons per 100,000 people in the United States declined by 26% from the 1980s to 2005. Cumulative growth in demand for general surgery is projected to exceed 25% by 2025. The Association of American Medical Colleges has projected a shortage of 41,000 general surgeons by 2025. General surgeons make up 33% of the total projected physician shortage, the second highest after primary care physicians, who make up 37% of the total shortage. Despite the demand for general surgeons, the percentage of general surgery trainees going directly into practice is decreasing while the percentage of trainees pursuing subspecialty training is increasing. A recent study reported that graduating residents who lacked confidence in their skills to operate independently were more likely to pursue subspecialty training. This suggests that some graduating residents are motivated to obtain subspecialty training to gain more experience rather than narrow their clinical scope of practice. Given the projected shortage of general surgeons, this will be a crucial distinction when reforming surgical education. General surgery trainees interested in career planning would benefit from understanding the demand for general and/or specialty skills in a job market heavily influenced by a constant stream of new graduates. However, little is currently known about the demand for subspecialty vs general surgical skills in the current job market. The goal of this study was to describe the current job market for general surgeons in the United States, using Oregon and Wisconsin as surrogates. Furthermore, we sought to compare the skills required by the job market with those of   graduating trainees with the goal of gaining insight that might assist in workforce planning and surgical education reform.

THE GENERAL SURGERY JOB MARKET_REVIEW ARTICLE

PRINCIPLES OF OSTOMY MANAGEMENT

The creation of a stoma is a technical exercise. Like most undertakings, if done correctly, the stoma will usually function well with minimal complications for the remainder of the ostomate’s life. Conversely, if created poorly, stoma complications are common and can lead to years of misery. Intestinal stomas are in fact enterocutaneous anastomoses and all the principles that apply to creation of any anastomosis (i.e., using healthy intestine, avoiding ischemia and undue tension) are important in stoma creation.

PRINCIPLES OF OSTOMY MANAGEMENT

MOST COMMOM POSTOPERATIVE PROBLEMS

Ciência e Caridade

Despite good preoperative assessment, surgical and anaesthetic technique and perioperative management, unexpected symptoms or signs arise after operation that may herald a  complication. Detecting these early by regular monitoring and surgical review means early treatment can often forestall major deterioration.  Managing problems such as pain, fever or collapse requires correct diagnosis then early treatment. Determining the cause can be challenging, particularly if the patient is anxious, in pain or not fully recovered from anaesthesia. It is vital to see and assess the patient and if necessary, arrange investigations, whatever the hour, when deterio-ration suggests potentially serious but often remediable complications. Consider also whether and when to call for senior help.

POSTOPERATIVE_PROBLEMS_REVIEW ARTICLE

Survival Guide for SURGERY ROUND

SURGERY ROUND


Medical students are often attached to the various services. They can provide a significant contribution to patient care. However, their work requires supervision by the surgical intern/resident who takes primary clinical responsibility. Subinterns are senior medical students who are seeking additional clinical experience. Their assistance is needed and appreciated, but again, close supervision of their clinical responsibilities by the intern/resident is  mandatory.Outside reading is recommended, including textbooks, reference sources, and monthly journals.Eating is prohibited in patient care areas.Maintain patient confidentiality at all times.At conferences use only patient initials in presentations; and speak carefully and respectfully on  work rounds.

PRINCIPLES

1. Always be punctual (this includes ward rounds, operating room, clinics, conferences, morbidity and mortality). Personal appearance is very important. Maintain a high standard including clean shirt and tie (or equivalent) and a clean white coat. The day begins early. Be ready with all the data to start rounds with the senior resident or chief resident. Be sure to provide enough time each morning to examine your patients before rounds.

ABOUT NOTES

2.Aim to get all of your chart notes written as soon as possible; this will greatly increase your effi ciency during the day. Sign and print your name, and include your beeper number, date, and time. Progress notes on patients are required daily. Surgical progress notes should be succinct and accurate, briefl y summarizing the patient’s clinical status and plan of management. Someone unfamiliar with the case should be able to get a good understanding of the patient’s condition from one or two notes. Operative consent is obtained after admitting the patient, performing the history and physical examination, discussing the risks, benefi ts, and alternatives of the procedure(s), and having the patient’s nurse sign the consent with the patient. If you are unaware of the risks and benefi ts of a procedure, discuss this with the service chief resident. Blood transfusion attestation forms need to be signed by the counseling physician before each surgical procedure.

OPERATING ROOM

3. Arrive in the operating room with the patient and before the attending physician or chief resident. Make sure that the charts and all of the relevant x-rays are in the operating room. Make sure that the x-rays are on the x-ray view box prior to the commencement of the case. The intern or resident performing the case should be familiar with the patient’s history and physical exam, current medications, and comorbidities, and be familiar with the principles of the operation prior to arriving in the operating room. Make it a habit to introduce yourself to the patient before the operation. It is mandatory that the surgical resident involved with a case in the operating room attend the start of the case punctually. Scheduled operative cases do not necessarily occur at the listed time. For this reason, it is necessary to check with the operating room front desk frequently. Do not rely on being paged. Conduct in the operating room includes assisting with the preoperative positioning and preparation of the patient; this includes shaving, catheterization, protection of pressure points, and thromboembolism protection. The resident should escort the patient from the operating room to the intensive care unit (ICU) or the postanesthetic care unit with the anesthesiologists. The operating surgeon is responsible for dictating the case. The resident must record all cases performed. For cases admitted to the surgery ICU, a hand-over to the surgery ICU resident is mandatory.This includes discussing all the preoperative assessment, operative details, and postoperative management of the case with the ICU resident.

ROUNDS

4. Signing out to cross-cover services must be performed in a meticulous and careful fashion. All patients should be discussed between the surgical intern and the cross-covering intern to cover all potential problems. A sign-out list containing all the patients, patient locations, and the responsible attendings should be given personally to the cross-cover intern. Any investigations performed at night (e.g., lab studies, chest x-ray, electrocardiogram [ECG]) should be checked that night by the covering intern. No test order should go unchecked. Abnormal lab values should be reviewed and discussed with the senior resident or the attending staff, especially on preoperative patients. Starting antibiotics should be a decision left to the senior resident or attending staff. If consultants are asked to see patients, their recommendations mustbe discussed with your senior resident or attending priorto initiating any new plans. Independent thought is good; independent action is bad.

SUPERVISION

5. Document all procedures performed on patients—including arterial lines, chest tubes, and central lines—with a short procedure note in the chart. Every patient contact should be documented in the patient record.If you see a patient in the middle of the night, write a short note to describe your assessment and plan. Remember, if there is no documentation, then nobody responded to the patient’s complaint or needs. Obtain appropriate supervision for procedures. There are always more senior residents available if your chief is not. Protect yourself; practice universal precautions! Wash your hands before and after examining a patient. Wear gloves. All wounds should be inspected every day by the surgical intern as part of the clinical examination. Please re-dress them; the nursing staff is not always immediately available to do so. There should never be any surprises in the morning.

RESIDENTS

Your senior resident is responsible for the service and should be kept aware of any problems, regardless of the time of day. If the senior resident is not available, the attending staff should be contacted directly. There are always senior residents in the hospital who are available to be used as resources for emergencies. Always be aware of who is in-house (i.e., consult resident, ICU resident, trauma chief). A surgery resident’s days are long. They start early and they fi nish late.  Always remember the three A’s to being a successful resident: Affable, Available, and Able. Be prepared to maintain a flexible daily schedule depending on the workload of the service and the requirement for additional manpower.

PREVENTION COMPLICATIONS OF COLON SURGERY

COMPLICATIONS OF COLON SURGERY_REVIEW ARTICLE


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Colon surgery represents a high number of patients treated at a department of gastrointestinal surgery and is not limited to colon cancer. It includes other non-neoplastic pathologies such as inflammatory bowel disease, diverticular disease or colonic volvulus. As with any major procedure, colon surgery patients may present serious or even fatal complications. The incidence of postoperative complications from colon surgery has been estimated at between 10% and 30% according to selected series. Preventive measures against surgical complications include selection of an appropriate procedure for the patient as well as good preoperative care, appropriate surgical technique and good postoperative management. When diagnosis has been established, risks for patient should be assessed according to patient’s health conditions and type of surgery accomplished. When the patient meets the surgical requirements, an appropriate course of preoperative care should be carried out including colon wash  antibiotics and antithrombotic prophylaxis. Postoperative period will be equivalent to any major abdominal surgery. Typically, it was considered appropriate to wait a few days before initiating feeding in order to protect anastomosis; however, some authors agree that an early oral diet hours after intervention is not associated with a higher risk of anastomotic dehiscence and other complications.


Sleeve Gastrectomy: Complications and Management

SLEEVE GASTRECTOMY COMPLICATIONS_REVIEW ARTICLE


Obesity is a common disease affecting adults and children. The incidence of obesity in worldwide is increasing. Laparoscopic sleeve gastrectomy (LSG) is a relatively new and effective procedure for weight loss. Owing to an increase in the number of bariatric surgical procedures, general surgeons should have an understanding of the complications associated with LSG and an approach for dealing with them. Early postoperative complications following LSG that need to be identified urgently include bleeding, staple line leak and development of an abscess. Delayed complications include strictures, nutritional deficiencies and gastresophageal reflux disease. We discuss the principles involved in the management of each complication.

“COMO PODEMOS CURAR A MEDICINA?”

“Nos últimos anos percebemos que estávamos na mais profunda crise da existência da medicina, devido a algo sobre o que você normalmente não pensa quando você é um médico preocupado em fazer o bem para as pessoas, que é o custo do tratamento de saúde. Não há um país no mundo que não esteja perguntando agora se podemos custear o que médicos fazem. A luta política que desenvolvemos tornou-se aquela sobre se o governo é o problema ou se as companhias de seguro são o problema. E a resposta é sim e não; é mais profundo que tudo isso. A causa de nossos problemas é, na verdade, a complexidade que a ciência nos deu. E para entender isso, voltarei algumas gerações…”

PERIOPERATIVE FLUID MANAGEMENT IN SURGERY

REVIEW ARTICLE_FLUID MANAGEMENT IN ELECTIVE SURGERY


The purpose of the thesis was to investigate the pathophysiology and functional outcomes of various fluid administration regimens in elective surgical procedures and describe factors of importance in perioperative fluid management. The goal was to create a rational physiologic background on which to design future ran-domized, clinical trials focusing on clinical outcomes aiming to produce evidence-based guidelines for rational perioperative fluid therapy. The main hypothesis of the thesis was thatthe ”liberal” fluid administration regimens seen in daily clinical practice may be detrimental and contribute to increased perioperative morbid-ity primarily due to increased functional demands of the cardi-opulmonary system and gastrointestinal tract as well as de-creased tissue oxygenation (impaired wound healing).

HIDRATAÇÃO VENOSA

“CIRURGIA: PASSADO, PRESENTE e FUTURO ROBÓTICO”


A cirurgiã e inventora Catherine Mohr nos guia pela história da cirurgia (e seu passado pré-anestesia e pré-antissepsia), e depois demonstra algumas das mais novas ferramentas para cirurgias realizadas através de pequenas incisões, usando ágeis mãos robóticas.

 

EARLY COMPLICATIONS IN BARIATRIC SURGERY

REVIEW ARTICLE_BARIATRIC SURGERY COMPLICATIONS


ImagemThe risk of complications and mortality in bariatric surgery is associated with certain factors that are common to other patients and procedures, including age above 65 years, the presence of associated diseases (cardiovascular and pulmonary disease, chronic renal failure, liver cirrhosis, etc.), prior abdominal surgery, and the experience of the surgeon and the institution, especially concerning the ability to make an early diagnosis and address complications. The surgical complications observed in the early postoperative period following surgeries performed to treat severe obesity are similar to those associated with other major surgeries of the gastrointestinal tract. However, given the more frequent occurrence of medical comorbidities (such as diabetes, arterial hypertension, and sleep apnea), as well as the difficulty in making an early diagnosis of the complications (due to limitations of the clinical abdominal workup and imaging methods, such as ultrasonography and computed tomography, particularly in highly obese patients with body mass indices >50 kg/m²), these patients require special attention in the early post operative follow-up. Pulmonary thromboembolism, a complication associated with bariatric surgery, also requires greater attention from the medical team given the high mortality rate associated with this condition. Early diagnosis and appropriate treatment of these complications are directly associated with a greater probability of control.

Ebook: Princípios da Cirurgia Hepatobiliar

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Cirurgia Hepatobiliar


Considera-se que a cirurgia hepática começou após o advento da anestesia e da anti-sepsia. No entanto, muito antes disso, diversos autores já relatavam suas experiências com ressecções do fígado. As primeiras descrições de “cirurgias hepáticas” consistiam no relato de avulsões parciais ou totais de porções do fígado após lesões traumáticas do abdome. O relato de Elliot (1897) exemplifica muito dos temores dos cirurgiões da época: “O fígado (…) é tão friável, tão cheio de vasos e tão evidentemente impossível de ser suturado que parece ser improvável o manejo bem sucedido de grandes lesões de seu parênquima”.


CIRURGIA HEPATOBILIAR_ASPECTOS BÁSICOS

Lymph Node Dissection in Gastric Adenocarcinoma

LINFATICOS GASTRICOS

Extent of lymph node dissection has been an area of controversy in gastric adenocarcinoma for many years. Some surgeons believe that cancer metastasizes through a stepwise progression, and an extensive lymphadenectomy is necessary to improve survival and/or cure the patient. Other physicians argue that extensive ly-mphadenectomies only add pe-rioperative morbidity and mor-tality and do not improve survival. Asian countries have been performing extended lymphadenectomies routinely for many years with promising survival data, although Western countries have not been able to reproduce those results. Much of the controversy surrounding lymphadenectomies started in the 1980s when Japanese studies reported superior survival rates matched stage for stage, compared to the United States. This was theorized to be secondary to the more extensive lymphadenectomy performed in Japan compared to the United States

Resultado de imagem para gastric cancer linfadenectomy d2

A United Kingdom study randomized 400 patients to either a D1 or a D2 lymph node dissection. Those patients with tumors in the upper or middle third of the stomach underwent a distal pancreaticosplenectomy to obtain retropancreatic and splenic hilar nodes. While the 5-year survival rates were not statistically significant between the two groups, on multivariate analyses it was noted that those patients in the D2 group that did not undergo the distal pancreaticosplenectomy had an increased survival compared with the D1 group. A trial in the Netherlands randomized 380 gastric cancer patients to a D1 lymphadenectomy and 331 patients to a D2 lymphadenectomy. Similar to the United Kingdom study, there was not a significant difference in survival between the two groups, even when followed out to 11 years. There was a significant increase in postoperative complications in the D2 group compared with the D1 group (43 % vs. 25 %, respectively) as well as mortality (10 % vs. 4 %, respectively).

The data from these two studies suggest that a pancreaticosplenectomy performed to harvest lymph nodes seems to only add morbidity and mortality while not improving survival. One concern raised about the prior two studies was the variation in surgical technique and lack of standardization of surgeon experience. A Taiwanese study accounted for this by performing the study at a single institution with three surgeons, each of whom had completed at least 25 D3 lymph node dissections prior to the study. Patients with gastric cancer were randomized to a D1 lymph node dissection (defined as resection of perigastric lymph nodes along the lesser and greater curves of the stomach) or a D3 lymph node dissection (defined as resection of additional lymph nodes surrounding the splenic, common hepatic, left gastric arteries, nodes in the hepatoduodenal ligament, and retropancreatic lymph nodes). There was an overall 5-year survival benefit with the D3 group of 60 % compared with the D1 group of 54 %. A Japanese study evaluated a more aggressive lymph node dissection and randomized patients to a D2 dissection or a para-aortic lymph node dissection (PAND). There was no significant difference in 5-year survival between the two groups with a trend toward an increase in complications in the PAND group. Multiple studies have shown that the number of positive lymph nodes is a significant predictor of survival. Current AJCC guidelines stipulate that at least 15 lymph nodes are needed for pathologic examination to obtain adequate staging.

Laparoscopic techniques have become an integral part of surgical practice over the past several decades. For gastric cancer, multiple retrospective studies have reported the advantages of laparoscopic gastrectomy (LG) over open gastrectomy (OG). A recent meta-analysis of 15 nonrandomized comparative studies has also shown that although LG had a longer operative time than OG, it was associated with lower intraoperative blood loss, overall complication rate, fewer wound-related complications, quicker recovery of gastrointestinal motility with shorter time to first flatus and oral intake, and shorter hospital stayA randomized prospective trial comparing laparoscopic assisted with open subtotal gastrectomy reported that LG had a significantly lower blood loss (229 ± 144 ml versus 391 ± 136 ml; P< 0.001), shorter time to resumption of oral intake (5.1 ± 0.5 days versus 7.4 ± 2 days; P< 0.001), and earlier discharge from hospital (10.3 ± 3.6 days versus 14.5 ± 4.6 days; P< 0.001). 

 

Como funciona o GRAMPEADOR INTESTINAL ?

 

A Busca pela Segurança e Eficiência na Cirurgia Moderna

Introdução O objetivo primordial de qualquer cirurgião, ao iniciar uma intervenção, é garantir que o procedimento seja seguro e eficiente. A “regra de ouro” da cirurgia moderna permanece clara: o ato operatório deve ser o mais breve possível, gerando o menor trauma tecidual e restaurando a função do órgão. O resultado esperado é sempre a minimização das intercorrências no pós-operatório. Embora a cirurgia atual atinja esses objetivos de forma bastante satisfatória, as complicações relacionadas às suturas e à cicatrização ainda são desafios presentes na rotina hospitalar.

A Evolução Histórica e os Desafios da Cicatrização A confiabilidade das suturas gastrointestinais, por exemplo, é uma conquista relativamente recente. Foi apenas no final do século XIX que a compreensão dos princípios básicos da cicatrização tecidual permitiu avanços significativos nesta área. Sabemos hoje que o sucesso do reparo tecidual não depende apenas da técnica empregada, mas é uma equação complexa que envolve o paciente e a área operada. Diversos fatores podem retardar ou prejudicar drasticamente a cicatrização, entre eles:

  • Isquemia (falta de suprimento sanguíneo);

  • Edema (inchaço excessivo);

  • Infecção local ou sistêmica;

  • Desnutrição do paciente.

O Fator Humano e o Surgimento da Tecnologia Existe uma variável crítica na cirurgia: a habilidade manual. Naturalmente, há uma variação na destreza e na técnica entre diferentes cirurgiões. Foi justamente essa disparidade que motivou o desenvolvimento de novos dispositivos cirúrgicos. O objetivo da inovação tecnológica na cirurgia é superar as diferenças individuais, funcionando como um equalizador. Ao utilizar dispositivos que padronizam etapas críticas (como as suturas mecânicas), permite-se que técnicas complexas sejam executadas adequadamente, independente de quem opera.

Conclusão Para que a medicina avance, uma técnica não pode depender apenas do talento de poucos. Ela deve ser reproduzível de forma confiável pelo maior número possível de cirurgiões. Somente através dessa padronização e do auxílio tecnológico é que os resultados cirúrgicos podem ser amplamente adotados, reconhecidos como eficazes e, acima de tudo, seguros para o paciente.

ANASTOMOSE GASTROINTESTINAL COM GRAMPEADORES

POSTOPERATIVE ILEUS

POSTOPERATIVE ILEUS_REVIEW ARTICLE


ALVIMOPANIn systems that try to minimize hospital stay after abdominal surgery, one of the principal limiting factors is the recovery of adequate bowel function, which can delay discharge or lead to readmission. Postoperative ileus (POI) is the term given to the cessation of intestinal function following surgery. Although all surgical procedures put the patient at risk for POI, gastrointestinal tract surgeries in particular are associated with a temporary cessation of intestinal function. The duration of POI varies, lasting from a few hours to several weeks. Prolonged postoperative ileus, also known as pathologic postoperative ileus, can be caused by a myriad of pathologic processes that are treated with limited success by clinical and pharmacologic management. Studies of large administrative databases show that, on average, patients with a diagnosis of POI stay 5 days longer in hospital after abdominal surgery than patients without POI.  Over the last decade, substantial efforts have been made to minimize the duration of POI, as there appears to be no associated physiologic benefit, and it is currently the primary factor delaying recovery for most patients. In this review, we define POI, describe the pathogenesis and briefly discuss clinical management before detailing current pharmacologic management options.

Colonoscopia : Quais as principais complicações?


Colonoscopy is a commonly performed procedure for the diagnosis and treatment of a wide range of conditions and symptoms and for the screening and surveillance of colorectal neoplasia. Although up to 33% of patients report at least one minor, transient GI symptom after colonoscopy, serious complications are uncommon. In a 2008 systematic review of 12 studies totaling 57,742 colonoscopies performed for average risk screening, the pooled overall serious adverse event rate was 2.8 per 1000 procedures. The risk of some complications may be higher if the colonoscopy is performed for an indication other than screening. The colorectal cancer miss rate of colonoscopy has been reported to be as high as 6% and the miss rate for adenomas larger than 1 cm is 12% to 17%. Although missed lesions are considered a poor outcome of colonoscopy, they are not a complication of the procedure per se and will not be discussed further in this document. Over 85% of the serious colonoscopy complications are reported in patients undergoing colonoscopy with polypectomy. An analysis of Canadian administrative data, including over 97,000 colonoscopies, found that polypectomy was associated with a 7-fold increase in the risk of bleeding or perforation. However, complication data are often not stratified by whether or not polypectomy was performed. Therefore, complications of polypectomy are discussed with those of diagnostic colonoscopy. A discussion of the diagnosis and management of all complications of colonoscopy is beyond the scope of this document, although general principles are reviewed.


COLONOSCOPIA E SUAS COMPLICAÇÕES_ARTIGO DE REVISÃO

Prontuário Médico

Evolução Cirúrgica S.O.A.P.

A Engenharia do Prontuário Médico, Ética, LGPD e Defesa Profissional

Autor: Prof. Dr. Ozimo Gama (Tempo de Leitura: 12 minutos)

Introdução

O prontuário médico transcende a simples formalidade administrativa; ele é o repositório sagrado do segredo médico, o espelho da qualidade assistencial e a testemunha silenciosa de cada decisão clínica tomada na beira do leito. No ambiente de alta complexidade da cirurgia do aparelho digestivo, onde o limiar entre a recuperação fisiológica e a complicação catastrófica é estreito, a evolução médica diária exige uma precisão quase matemática. A prática de preencher o prontuário é uma obrigação legal e uma responsabilidade intransferível do médico assistente. Em hospitais de ensino — o berço da formação cirúrgica —, acadêmicos de medicina e médicos residentes (especializandos) realizam as anotações sob a estrita supervisão, correção e responsabilidade solidária de seus preceptores ou médicos do staff. É uma prática antiética, ilegal e frontalmente condenável delegar o preenchimento da evolução clínica a qualquer profissional que não seja um médico habilitado perante o Conselho Regional de Medicina (CRM) ou um acadêmico em treinamento devidamente supervisionado. Historicamente e na atualidade, o prontuário médico corretamente preenchido tem sido a principal, e muitas vezes a única, peça de defesa do cirurgião em casos de denúncias por suposto mau atendimento, imperícia, imprudência ou negligência. Quando a polícia, o Poder Judiciário ou as Câmaras Técnicas do CRM são acionados, o prontuário é o primeiro documento requisitado. Se a sua técnica cirúrgica no bloco operatório for irretocável, mas a sua evolução na enfermaria for omissa, perante a lei, o cuidado não existiu.

Aspectos Históricos e a Gênese do Modelo S.O.A.P.

Até meados do século XX, os prontuários médicos eram estruturados de forma cronológica e narrativa, assemelhando-se a um diário confuso, onde informações vitais perdiam-se num mar de textos desorganizados. A revolução ocorreu na década de 1960, quando o Dr. Lawrence L. Weed publicou o artigo seminal “Medical records that guide and teach” (N Engl J Med; 1968). Weed propôs uma inversão de paradigma: o Problem-Oriented Medical Record (Prontuário Médico Orientado por Problemas). No Brasil, este modelo foi amplamente adotado e adaptado sob a sigla POPE (Prontuário Orientado por Problemas e Evidências), destacando a necessidade de fundamentar cada passo clínico em evidências científicas sólidas. A espinha dorsal deste modelo é a nota de evolução estruturada no formato S.O.A.P., que divide o raciocínio médico em quatro quadrantes fundamentais: Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano. Esta sistematização traz objetividade, clareza, facilidade de auditoria e, principalmente, permite que qualquer membro da equipe multidisciplinar (enfermagem, fisioterapia, nutrição) compreenda imediatamente o estado clínico e as metas terapêuticas do paciente cirúrgico.

A Estrutura do S.O.A.P. Cirúrgico

Na rotina da enfermaria de cirurgia digestiva, a evolução deve seguir um rigor técnico absoluto. O cabeçalho deve, obrigatoriamente, conter a identificação completa do paciente (Nome, Idade, Registro Hospitalar), a Enfermaria/Leito, o Diagnóstico Principal, o Nome da Cirurgia Realizada, o Dia de Pós-Operatório (ex: PO2 de Gastrectomia Total) e o Horário exato do atendimento.

Abaixo, detalhamos como cada componente da sigla S.O.A.P. deve ser preenchido sob a ótica cirúrgica:

1. “S” – Dados Subjetivos (A Voz do Paciente)

Compreende as queixas do paciente, sua percepção sobre a evolução e informações fornecidas por acompanhantes. Em cirurgia, não basta escrever “passou bem”. É imperativo interrogar ativamente sobre:

  • Dor: Utilizar escalas validadas (ex: Escala Visual Analógica – EVA de 0 a 10). A dor é em cólica? É contínua? Piora à mobilização?
  • Trato Gastrointestinal: Houve náuseas ou episódios de êmese? Houve eliminação de flatos (sinal crucial de retorno do trânsito intestinal)? Houve evacuação? Como foi a aceitação da dieta oferecida?
  • Mobilização: O paciente deambulou? Conseguiu sentar na poltrona? (Dados vitais para a profilaxia de trombose venosa profunda e atelectasia).
  • Exemplo: “Paciente refere dor incisional leve (EVA 2/10), com boa aceitação de dieta líquida. Nega náuseas. Refere eliminação de flatos durante a madrugada. Deambulou no corredor hoje cedo.”

2. “O” – Dados Objetivos (A Visão do Cirurgião)

Inclui os dados vitais irrefutáveis, o exame físico focado e os resultados de exames complementares laboratoriais ou de imagem. Este é o terreno da evidência mensurável.

  • Sinais Vitais: Frequência Cardíaca (FC), Pressão Arterial (PA), Frequência Respiratória (FR), Temperatura (T) e Saturação de O2. A taquicardia inexplicada no pós-operatório de uma anastomose intestinal é o primeiro grito de socorro de uma fístula, antes mesmo da febre ou da dor peritonítica.
  • Exame Físico Específico: * Abdome: Globoso? Flácido? Ruídos hidroaéreos presentes? Dor à palpação (diferenciar dor incisional de irritação peritoneal)?
    • Ferida Operatória (FO): Limpa e seca? Hiperemiada? Presença de secreção (serosa, purulenta, hemática)?
    • Drenos: Tipo de dreno (ex: Jackson-Pratt, Blake, Penrose). Qual o aspecto do débito (seroso, sero-hemático, bilioso, entérico, fecaloide)? Qual o volume em 24 horas?
    • Estomas: Colostomia/Ileostomia com mucosa rósea (vitalidade)? Edemaciada? Isquêmica? Estoma funcionante (presença de fezes na bolsa)?
  • Exemplo: “PA: 120×70 mmHg; FC: 88 bpm; FR: 16 irpm; T: 36,8ºC. Abdome: flácido, RHA+, indolor à palpação profunda. FO: sem hiperemia, curativo limpo. Dreno de Blake em FIE: débito de 30ml sero-hemático em 24h. Labs (05/10): Hb 11.2, Leucócitos 8.500 (sem desvio), PCR 12 (em queda).”

3. “A” – Avaliação (O Raciocínio Clínico)

A Avaliação é a síntese. É o momento em que o cirurgião processa os dados Subjetivos e Objetivos para emitir o seu juízo de valor sobre o estado do paciente. Não é a repetição dos diagnósticos da internação, mas a avaliação do momento atual.

  • O paciente está evoluindo conforme o esperado para o dia de pós-operatório?
  • Há suspeita de complicações (íleo paralítico prolongado, infecção de sítio cirúrgico, fístula anastomótica, sangramento, pneumonia)?
  • Exemplo: “Paciente no 2º PO de Colectomia Direita Videolaparoscópica por Adenocarcinoma. Evolução clínica e laboratorial amplamente favorável. Trânsito intestinal restabelecido. Sem sinais de complicações infecciosas ou hemorrágicas no momento.”

4. “P” – Plano (A Conduta e o Futuro)

O Plano define as ações imediatas e de médio prazo. É a conduta terapêutica e diagnóstica fundamentada na avaliação recém-feita.

  • Terapêutica: Progressão ou regressão de dieta? Transição de analgesia venosa para via oral? Suspensão de fluidos intravenosos? Descalonamento ou suspensão de antibioticoterapia profilática/terapêutica?
  • Procedimentos: Retirada de dreno? Troca de curativo? Retirada de Sonda Vesical de Demora (SVD)?
  • Diagnóstico: Solicitação de novos exames laboratoriais ou tomografia de abdome (se suspeita de complicação)?
  • Educação/Alta: Orientações ao paciente e preparo para alta hospitalar.
  • Exemplo: “1. Progredir para dieta pastosa; 2. Suspender hidratação venosa e manter acesso salinizado; 3. Trocar analgesia para via oral; 4. Retirar dreno de Blake hoje; 5. Programar alta hospitalar para amanhã, caso mantenha tolerância à dieta.”

Aspectos Éticos, Legais e Atualizações Normativas

A prática médica contemporânea exige que a evolução cirúrgica esteja blindada contra vulnerabilidades legais. A doutrina da “medicina de defesa” tem dado lugar à Prevenção Jurídica Ativa, onde o prontuário é o escudo. Segundo o Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018), em seu Capítulo X, é vedado ao médico negar acesso ao prontuário ao paciente, bem como é infração ética grave deixar de elaborar prontuário legível para cada paciente.

O Código Penal e a Falsidade Ideológica

As anotações devem refletir a estrita verdade temporal e clínica. O Artigo 299 do Código Penal Brasileiro é taxativo quanto ao crime de falsidade ideológica: “Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita…”. A pena varia de 1 a 5 anos de reclusão. Evoluções “clonadas” (o infame “copiar e colar” do dia anterior no prontuário eletrônico sem verificar o paciente) que não relatam a mudança do estado clínico (ex: o paciente apresentou febre à noite, mas a evolução matinal diz “afebril” por cópia da véspera) podem caracterizar este crime, além de negligência médica. No papel, rasuras anulam o valor probatório; deve-se usar a expressão “digo” ou “em tempo” para retificações.

O Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) e a Certificação Digital

A Resolução CFM nº 1.638/2002 tornou obrigatória a legibilidade do prontuário em papel (o fim definitivo da “letra de médico” ilegível). Contudo, a grande revolução normativa reside no Prontuário Eletrônico. De acordo com a Resolução CFM nº 1.821/2007 (e suas atualizações, como a Resolução 2.299/2021), para que um documento médico eletrônico tenha validade legal e elimine a necessidade do papel, ele deve utilizar sistema de segurança com Nível de Garantia de Segurança 2 (NGS2), que exige a Assinatura Digital com certificado ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira). Sem o token ou certificado digital em nuvem assinado pelo médico, a evolução digitada não tem presunção de veracidade jurídica plena. A senha do sistema do hospital não substitui a assinatura digital. A prática de fornecer seu login e token para que o residente ou interno assine por você é falta ética gravíssima, equiparada à quebra de sigilo e falsidade ideológica.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei 13.709/2018)

O prontuário cirúrgico contém dados sensíveis (informações sobre saúde). A implementação da LGPD obriga as instituições e os médicos a garantirem o acesso restrito a essas informações. A evolução clínica SOAP não pode ser fotografada pelo celular do médico e enviada em grupos de mensagens (como WhatsApp) sem a desidentificação completa do paciente ou consentimento expresso. Vazamentos de dados contidos no prontuário geram pesadas multas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e processos civis por dano moral.

Pontos-Chave para a Prática Diária do Residente

  1. Tempo é Documento: A data e a hora do atendimento são cruciais. A evolução médica reflete o paciente naquele minuto exato. A cronologia dos eventos salva ou condena o cirurgião em uma sindicância.
  2. O Perigo do Copiar/Colar: No prontuário eletrônico, o recurso de copiar a evolução do dia anterior induz ao erro, perpetuando dados vitais antigos ou ignorando exames recentes. Cada dia exige uma avaliação autêntica e original.
  3. Assinatura e Carimbo: No papel, carimbo e assinatura legível com CRM. No eletrônico, Assinatura Digital (ICP-Brasil). A validação de quem prescreve ou evolui é intransferível.
  4. Comunicação Multidisciplinar: A evolução SOAP não é escrita apenas para o juiz ou para o CRM; ela é lida pelo enfermeiro que administrará o antibiótico, pelo fisioterapeuta que mobilizará o paciente e pelo nutrólogo que ajustará a dieta. Clareza é respeito pela equipe e segurança para o doente.

Conclusões Aplicadas à Prática do Cirurgião Digestivo

A evolução cirúrgica é a radiografia do intelecto do médico. O método S.O.A.P. obriga o cirurgião do aparelho digestivo a estruturar seu pensamento científico de maneira cartesiana, garantindo que nenhum dreno, ostomia ou sintoma de alarme passe despercebido na enfermaria. Em uma era dominada pela alta tecnologia robótica e laparoscópica no centro cirúrgico, é na beira do leito e na frente da tela do Prontuário Eletrônico que o pós-operatório é vencido. Compreender as legislações vigentes, a obrigatoriedade da certificação digital e a rigidez da LGPD protege o patrimônio e a carreira do profissional, permitindo que ele exerça a arte da cirurgia com paz de espírito, sabendo que sua conduta está não apenas eticamente correta, mas juridicamente blindada.

“O prontuário não é apenas um registro de doenças, mas sim o livro de memórias de uma batalha travada em conjunto pelo médico e pelo paciente. Uma palavra mal escrita ou omitida pode ser tão letal quanto um bisturi mal empunhado na sala de operações.”Aforismo da Educação Médica Cirúrgica.

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Laparoscopic Colorectal Surgery


With the introduction of laparoscopic colectomy nearly 20 years ago, a relatively slow adoption of laparoscopic colorectal surgery into surgical practice has taken place. It is estimated that 10% to 25% of all colorectal resections are performed utilizing laparoscopy. The persistent steep learning curve, the lack of high-volume colorectal surgery by general surgeons (who perform the bulk of colonic resection in the United States), and the modest advantages reported are but a few of the reasons that the percentage of laparoscopic colorectal procedures has not dramatically risen. With the publication of several large, prospective randomized trials for colon cancer, along with the interest in single-port surgery and natural orifice surgery, there appears to be a renewed interest in minimally invasive procedures for the colon and rectum. This chapter will provide an overview of these issues and offer a current assessment of the common diseases to which minimally invasive techniques have been applied.

Learning Curve

Numerous previous studies have evaluated the learning curve involved in laparoscopic colectomy. It is estimated by conventional laparoscopic techniques that the learning curve for laparoscopic colectomy is at least 20 cases but more likely 50 cases. The need to work in multiple quadrants of the abdomen, the need for a skilled laparoscopic assistant, and the lack of yearly volume has kept the learning curve relatively steep. The surgeon may also need to work in reverse angles to the camera. All of these combined add to the complexity of the procedure and result in the need to perform a number of cases before the surgeon and surgical team become proficient. More recent publications have suggested the learning curve is more than 20 cases. In a prospective randomized study of colorectal cancer in the United Kingdom, the CLASICC trial, surgeons had to perform at least 20 laparoscopic resections before they were allowed to enter the study. The study began in July 1996 and was completed in July 2002. Despite the surgeons’ prior experience, the rate of conversion dropped from 38% to 16% over the course of the study, suggesting that a minimum of 20 cases may not be enough to overcome the learning curve. In the COLOR trial from Europe, another prospective randomized study for colon cancer that required a prerequisite experience in laparoscopic colon resection before surgeons could enter patients in the study, surgeon and hospital volume were directly related to a number of operative and postoperative outcomes. The median operative time for high-volume hospitals (>10 cases/year) was 188 minutes, compared to 241 minutes for low-volume hospitals (<5 cases/year); likewise, conversion rates were 9% versus 24% for the two groups. High-volume groups also had more lymph nodes in the resected specimens, fewer complications, and shortened hospital stays. These two relatively recent multicenter studies suggest that the learning curve is clearly greater than 20 cases and that surgeons need to perform a minimum yearly number of procedures to maintain their skills.

Outcomes

There may not be another area in recent surgical history that has been more heavily scrutinized than laparoscopic colorectal surgery. The plethora of accumulated data allows a careful assessment of all outcome measures for nearly every colorectal disease and procedure. In comparison to conventional colorectal surgery, the benefits of laparoscopy for colorectal procedures compared to open techniques include a reduction in postoperative ileus, postoperative pain, and a concomitant reduction in the need for analgesics; an earlier tolerance of diet; a shortened hospital stay; a quicker resumption of normal activities; improved cosmesis; and possibly preservation of immune function. This is offset by a prolongation in operative time, the cost of laparoscopic equipment, and the learning curve for these technically challenging procedures. When reporting the outcomes of laparoscopic colectomy, a natural selection bias applies when comparing conventional and laparoscopic cases. The most complex cases are generally not suitable for a laparoscopic approach and therefore are performed via an open approach. Also, in many series the results of the successfully completed laparoscopic cases are compared to conventional cases, and the cases converted from a laparoscopic to a conventional procedure may be analyzed separately. Few studies, with the exception of the larger prospective randomized studies, leave the converted cases in the laparoscopic group as part of the “intention to treat” laparoscopic group. This clearly introduces selection bias.

Although the results of prospective randomized trials are available for almost every disease process requiring colorectal resection, the majority of studies of laparoscopic colectomy are retrospective case-control series or noncomparative reports. The conclusions regarding patient outcomes must therefore come from the repetitiveness of the results rather than the superiority of the study design. For any one study, the evidence may be weak; but collectively, because of the reproducibility of results by a large number of institutions, even with different operative techniques and postoperative management parameters, the preponderance of evidence favors a minimally invasive approach with respect to postoperative outcomes.

 Operative Time

Nearly all the comparative studies provide information regarding operative times. The definition of the operative time may vary with each series, and there may be different groups of surgeons performing the laparoscopic and conventional procedures. With the exception of a few reports, nearly all studies demonstrated a prolonged operative time associated with laparoscopic procedures. In prospective randomized trials, the procedure was roughly 40 to 60 minutes longer in the laparoscopic groups. As the surgeon and team gain experience with laparoscopic colectomy, the operating times do reliably fall, but rarely do they return to the comparable time for a conventional approach.

 Return of Bowel Activity and Resumption of Diet

Reduction in postoperative ileus is one of the proposed major advantages of minimally invasive surgery. Nearly all of the retrospective and prospective studies comparing open and laparoscopic colectomy have shown a statistically significant reduction in the time to passage of flatus and stool. Most series demonstrate a 1- to 2-day advantage for the laparoscopic group. Whether the reduction of ileus relates to less bowel manipulation or less intestinal exposure to air during minimally invasive surgery remains unknown. With the reduction in postoperative ileus, the tolerance by the patient of both liquids and solid foods is quicker following laparoscopic resection. The time to resumption of diet varies from 2 days to 7 days, but in the majority of comparative studies, this is still 1 to 2 days sooner than in patients undergoing conventional surgery. Again, the physician and patient were not blinded in nearly all studies, which may have altered patient expectations. However, the overwhelming reproducible data reported in both retrospective and prospective studies of laparoscopic procedures does likely favor a reduction of postoperative ileus and tolerance of liquid and solid diets.

 Postoperative Pain

To measure postoperative pain, a variety of assessments have been performed to demonstrate a significant reduction in pain following minimally invasive surgery; some studies utilize an analog pain scale, and others measure narcotic requirements. Physician bias and psychologic conditioning of patients may interfere with the evaluation of postoperative pain. There are also cultural variations in the response to pain. Three of the early prospective randomized trials have evaluated pain postoperatively, and all three have found a reduction in narcotic requirements in patients undergoing laparoscopic colectomy. In the COST study, the need both for intravenous and oral analgesics was less in patients undergoing successfully completed laparoscopic resections. Numerous other nonrandomized studies have shown a reduction in postoperative pain and narcotic usage.

 Length of Stay

The quicker resolution of ileus, earlier resumption of diet, and reduced postoperative pain has resulted in a shortened length of stay for patients after laparoscopic resection when compared to traditional procedures. Recovery after conventional surgery has also been shortened, but in the absence of minimally invasive techniques, it would seem unlikely that the length of stay could be further reduced. In nearly all comparative studies, the length of hospitalization was 1 to 6 days less for the laparoscopic group. Although psychological conditioning of the patient cannot be helped and likely has a desirable effect, the benefits of minimally invasive procedures on the overall length of stay cannot be discounted. The benefit, however, is more likely a 1 to 2 day advantage only. The more recent introduction of clinical pathways, both in conventional and laparoscopic surgery, has also narrowed the gap but appears to be more reliable in patients undergoing a minimally invasive approach.

 Hospital Costs

One of the disadvantages of laparoscopy is the higher cost related to longer operative times and increased expenditures in disposable equipment. Whether the total cost of the hospitalization (operative and hospital costs) is higher following laparoscopic colectomy is debatable. A case-control study from the Mayo Clinic looked at total costs following laparoscopic and open ileocolic resection for Crohn’s disease (CD). In this study, 66 patients underwent laparoscopic or conventional ileocolic resection and were well matched. Patients in the laparoscopic group had less postoperative pain, tolerated a regular diet 1 to 2 days sooner, and had a shorter length of stay (4 vs. 7 days). In the cost analysis, despite higher operative costs, the overall mean cost was $3273 less in the laparoscopic group. The procedures were performed by different groups of surgeons at the institution, and although the surgeons may have introduced biases, this study was undertaken during the current era of cost containment, in which all physicians are encouraged to reduce hospital stays. The results are similar for elective sigmoid diverticular resection with a mean cost savings of $700 to $800. Clearly, if operative times and equipment expenditure are minimized, the overall cost of a laparoscopic resection should not exceed a conventional approach.

Tratamento Laparoscópica da DIVERTICULITE AGUDA


O aumento da prevalência de doença diverticular fez o seu adequado manuseio mais um assunto de debate constante. Especialmente para os casos de diverticulite, progresso considerável tem sido feito em termos de diagnóstico e tratamento. Diagnóstico apropriado em TC e técnicas intervencionistas são agora amplamente disponíveis, bem como agentes antimicrobianos eficazes. Finalmente, como a ressecção cirúrgica do cólon envolvido é a única maneira de erradicar definitivamente essa condição, a colectomia eletiva laparoscópica surgiu como uma opção segura e interessante entre as opções de tratamento. Embora tenha sido recentemente contestada sobre a sua progressão, a história natural da diverticulite é assumida como sendo a de recorrência ao longo do tempo, pelo menos, em um terço dos pacientes. O medo das complicações desta doença benigna e prevalente tem motivado sociedades médicas e cirúrgicas para produzir orientações e consensos sobre o assunto. A mortalidade geralmente vem de sepse recorrente e/ou operações de emergência para casos mais complicados. Como resultado, o procedimento cirúrgico mais realizado, a sigmoidectomia eletiva, é normalmente indicada para todos os casos complicados e muitos dos não-complicados. A abordagem laparoscópica para a colectomia esquerda tem evoluído e condições seguras são oferecidas aos pacientes, quando realizado por cirurgiões experientes em laparoscopia.

“UM TOQUE DE MÉDICO”


“A medicina moderna está ameaçada a perder uma ferramenta fora de moda, mas poderosa: o toque humano. O médico e escritor Abraham Verghese descreve nosso estranho novo mundo, onde pacientes são meramente pontos de informação e clama pelo retorno do tradicional exame frente a frente.”

LIFE AS A SURGEON

TheSurgeon_Club


Life as a Surgeon
Surgical careers begin long before one is known as a surgeon. Medicine in general, and surgery in particular, is competitive from the start. As the competition begins, in college or earlier, students are confronted with choices of doing what interests them and what they may truly enjoy vs doing what is required to get to the next step. It is easy to get caught up in the routine of what is required and to lose track of why one wanted to become a doctor, much less a surgeon, in the first place. The professions of medicine and surgery are vocations that require extensive knowledge and skill. They also require a high level of discretion and trustworthiness. The social contract between the medical profession and the public holds professionals to very high standards of competence and moral responsibility. Tom Krizek goes on to explain that a profession is a declaration of a way of life ‘‘in which expert knowledge is used not primarily for personal gain, but for the benefit of those who need that knowledge.’’

For physicians, part of professionalism requires that when confronted with a choice between what is good for the physician and what is good for the patient, they choose the latter. This occurs and is expected sometimes to the detriment of personal good and that of physicians’ families. Tom Krizek even goes so far as to question whether surgery is an ‘‘impairing profession.’’ This forces one to consider the anticipated lifestyle. In sorting this out, it is neither an ethical breach nor a sign of weakness to allocate high priority to families and to personal well-being. When trying to explain why surgery may be an impairing profession, Krizek expands with a cynical description of the selection process. Medical schools seek applicants with high intelligence; responsible behavior; a studious, hard-working nature; a logical and scientific approach to life and academics; and concern for living creatures. He goes further to explain that in addition to these characteristics, medical schools also look for intensity and drive, but are often unable to make distinctions among those who are too intense, have too much drive, or are too ingratiating.

Medical School
There are many ethical challenges confronting medical students. As they start, medical students often have altruistic intentions, and at the same time are concerned with financial security. The cost of medical education is significant. This can encourage graduates to choose specialty training according to what will provide them the most expedient means of repaying their debt. This can have a significant, and deleterious, impact on the health care system in that the majority of medical graduates choose to pursue specialty training, leaving a gap in the availability of primary care providers. As medical students move into their clinical training, they begin interacting with patients. One concern during this time is how medical students should respond and carry on once they believe that a mistake on their part has resulted in the injury or death of another human being. In addition, the demands of studying for tests, giving presentations, writing notes, and seeing patients can be overwhelming. The humanistic and altruistic values that medical students have when they enter medical school can be lost as they take on so much responsibility. They can start to see patient interactions as obstacles that get in the way of their other work requirements. During their clinical years, medical students decide what field they will ultimately pursue. For students to make an informed decision about a career in surgery, they need to know what surgeons do, why they do it, and how surgery differs from other branches of medicine. It is important for them to be aware of what the life of a surgeon entails and whether it is possible for them to balance a surgical career with a rewarding family life.

Surgical Residency
Beginning residents are confronted with a seemingly unbearable workload, and they experience exhaustion to the point where the patient may seem like ‘‘the enemy.’’ At the same time, they must learn how to establish strong trusting relationships with patients. For the first time, they face the challenge of accepting morbidity and death that may have resulted directly from their own actions. It is important that residents learn ways to communicate their experience to friends and family, who may not understand the details of a surgeon’s work but can provide valuable support. The mid-level resident confronts the ethical management of ascending levels of responsibility and risks, along with increasing emphasis on technical knowledge and skills. It is at this level that the surgical education process is challenged to deal with the resident who does not display the ability to gain the skills required to complete training as a surgeon. Residents at this level also must deal with the increasing level of responsibility to the more junior residents and medical students who are dependent on them as teacher, organizer, and role model. All of this increasing responsibility comes at a time when the resident must read extensively, maintain a family life, and begin to put long-range plans into practice in preparation for the last rotation into the chosen final career path. The senior surgical resident should have acquired the basics of surgical technique and patient management, accepting nearly independent responsibility for patient care. The resident at this level must efficiently and fairly coordinate the functioning team, engage in teaching activities, and work closely with all complements of the staff. As far as ethics education is concerned, residents at this stage should be able to teach leadership, teamwork, and decision-making. They should be prepared to take on the value judgments that guide the financial and political aspects of the medical and surgical practice.

The Complete Surgeon
The trained surgeon must be aware of the need to differentiate between the business incentives of medical care and doing what is right for a sick individual. As financial and professional pressures become more intense, the challenge increases to appropriately prioritize and balance the demands of patient care, family, education, teaching, and research. For example, how does the surgeon deal with the choice between attending a child’s graduation or operating on an old patient who requests him rather than an extremely well-trained associate who is on call? How many times do surgeons make poor choices with respect to the balance of family vs work commitments? Someone else can
competently care for patients, but only parents can be uniquely present in the lives of their children. Time flies, and surgeons must often remind themselves that their lives and the lives of their family members are not just a dress rehearsal.

Knowing When to Quit
A 65-year-old surgeon who maintains a full operating and office schedule, is active in community and medical organizations, and has trained most of her surgical colleagues is considering where to go next with her career. Recently, her hospital acquired the equipment to allow robotic dissection in the area where she does her most complicated procedures. She has just signed up to learn this new technology, but is beginning to reflect on the advisability of doing this. How long should she continue at this pace, and how does she know when to slow down and eventually quit operating and taking the responsibility of caring for patients? Murray Brennan summarizes the dilemma of the senior surgeon well. The senior surgeon is old enough and experienced enough to do what he does well. He yearns for the less complicated days where he works and is rewarded for his endeavors. He becomes frustrated by restrictive legislation, the tyranny of compliance, and the loss of autonomy. Now regulated, restricted, and burdened with compliance, with every medical decision questioned by an algorithm or guideline, he watches his autonomy of care be ever eroded. Frustrated at not being able to provide the care, the education, and the role model for his juniors, he abandons the challenge.

Finishing with Grace
Each surgeon should continuously map a career pathway that integrates personal and professional goals with the outcome of maintaining value, balance, and personal satisfaction throughout his or her professional career. He or she should cultivate habits of personal renewal, emotional self-awareness, and connection with colleagues and support systems, and must find genuine meaning in work to combat the many challenges. Surgeons also need to set an example of good health for their patients. Maintaining these values and healthy habits is the work of a lifetime. Rothenberger describes the master surgeon as a person who not only knows when rules apply, recognizes patterns, and has the experience to know what to do, but also knows when rules do not apply, when they must be altered to fit the specifics of an individual case, and when inaction is the best course of action. Every occasion is used to learn more, to gain perspective and nuance. In surgery, this is the rare individual who puts it all together, combining the cognitive abilities, the technical skills, and the individualized decision-making needed to tailor care to a specific patient’s illness, needs, and preferences despite incomplete and conflicting data. The master surgeon has an intuitive grasp of clinical situations and recognizes potential difficulties before they become major problems. He prioritizes and focuses on real problems. He possesses insight and finds creative ways to manage unusual and complex situations. He is realistic, self-critical, and humble. He understands his limitations and is willing to seek help without hesitation. He adjusts his plans to fit the specifics of the situation. He worries about his decisions, but is emotionally stable.

Cystic Disorders of the Bile Ducts

Captura de tela 2024-07-26 103747OVERVIEW

Cystic disorders of the bile ducts, although rare, are well-defined malformations of the intrahepatic and/or extrahepatic biliary tree. These lesions are commonly referred to as choledochal cysts,which is a misnomer, as these cysts often extend beyond the common bile duct (choledochus).

EPIDEMIOLOGY

Cystic disorders of the bile ducts account for approximately 1% of all benign biliary disease. Also, biliary cysts are four times more common in females than males. The majority of patients (60%) with bile duct cysts are diagnosed in the first decade of life, and approxi-mately 20% are diagnosed in adulthood.

CLASSIFICATION

Cystic dilatation of the bile ducts occurs in various shapes—fusi-form, cystic, saccular, and so on—and in different locations through-out the biliary tree. The most commonly used classification is the Todani modification of the Alonso-Lej classification.

ETIOLOGY

The exact etiology of biliary cysts is unknown.

CLINICAL PRESENTATION

The initial clinical presentation varies significantly between children and adults. In children, the most common symptoms are intermittent abdominal pain, nausea and vomiting, mild jaundice, and an abdom-inal mass. The classical triad of abdominal pain, jaundice, and a pal-pable abdominal mass associated with choledochal cyst is observed in only 10% to 15% of children, and it is rarely seen in adults. Symp-toms in adults often mimic those seen in patients with biliary tract disease or pancre-atitis.

SURGICAL MANAGEMENT

The definitive treatment of bile duct cysts usually includes surgical excision of the abnormal extrahepatic bile duct with biliary-enteric reconstruction. This approach relieves biliary obstruction, prevent-ing future episodes of cholangitis, stone formation, or biliary cirrho-sis and thus interrupting the inflammatory liver injury cycle. It also stops pancreatic juice reflux, and more importantly, it removes tissue at risk of malignant transformation.

Transanal Endoscopic Microsurgery for Rectal Tumors

Cancer of the rectum is the fifth most common form of cancer in adults worldwide. In 2012, an estimated 40,300 new rectal cancers will be diagnosed in the US with a median age 69 years. Five-year survival rates for rectal cancer are high for early stage disease (90% for Stage I disease) but drop significantly with worsening stage (7% for metastatic Stage IV disease). Recently, advances in neoadjuvant and adjuvant therapy have decreased the rate of local recurrence and improved long-term survival for some patients. Although the treatment for rectal cancer has become increasingly multimodal, surgical excision of the primary tumor remains essential for eradication of disease.

For a long time there has been a debate about the best surgical approach to early stage rectal cancer, whether treatment should involve radical excision (excision of the rectum) or local excision (tumor alone). Proponents of radical surgery argue that excision of the rectum with its surrounding lymphatic drainage offers the best chance for cure. On the other hand, advocates of local excision feel that a less-aggressive approach can avoid the potential ramifications of major pelvic surgery such as sepsis, poor anorectal function, sexual dysfunction, and difficulty with urination and can eliminate the potential need for a permanent stoma. Although the debate has gone back and forth on the adequacy of local excision, there is a growing body of scientific data that suggests that local excision can be sufficient in patients with early rectal cancer of the mid and distal rectum with good histologic features and preoperative imaging (computed tomography, magnetic resonance imaging, and endorectal ultrasound) that shows no evidence of lymph node involvement.

Traditionally, transanal excision has been performed with the conventional technique using traditional equipment. Although this conventional technique can give surgeons operative access to most distal rectal lesions, it can be difficult to conduct on mid-rectal tumors or in large patients with a deep buttock cleft. The technical difficulties experienced under such circumstances can lead to poor visualization, inadequate margins, or specimen fragmentation. In response to the technical limitations of conventional transanal excision, in the 1980s Professor Gehard Buess from Tubingen, Germany, began to develop the technique of transanal endoscopic microsurgery (TEM).

In collaboration with the Richard Wolf Company in Germany, Dr Buess developed the specialized instruments necessary to perform endoscopic surgery transanally. TEM was introduced into clinical practice in 1983, and was gradually implemented in several European countries and eventually introduced in North America and Asia. The last decade has witnessed international growth in the application of TEM yielding a significant amount of scientific data to support its clinical merits and advantages and also shedding some light on its limitations.

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Câncer de Esôfago

Epidemiologia, Diagnóstico Precoce e a Complexidade do Tratamento Multimodal

Autor: Prof. Dr. Ozimo Gama

Categoria: Oncologia Cirúrgica / Cirurgia do Aparelho Digestivo

Tempo de Leitura: 9 minutos

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Introdução

O esôfago, um tubo musculomembranoso de aproximadamente 25 a 30 centímetros, desempenha a função vital de transportar o bolo alimentar da hipofaringe ao estômago através de peristalse coordenada. Apesar de sua anatomia aparentemente simples, desprovida de serosa, este órgão é sítio de uma das neoplasias mais agressivas e desafiadoras para o cirurgião do aparelho digestivo: o câncer de esôfago. Esta patologia é caracterizada por sua latência clínica. Em fases iniciais, a doença é assintomática, o que retarda o diagnóstico e compromete o prognóstico. Para o estudante de medicina e o residente de cirurgia, compreender a dualidade histológica predominante — Carcinoma Epidermoide (CEC) versus Adenocarcinoma — e seus respectivos fatores de risco é fundamental para a suspeição clínica e o rastreamento adequado.

Epidemiologia e o Cenário Brasileiro

O câncer de esôfago é uma questão de saúde pública global, com alta incidência em regiões do “cinturão do câncer de esôfago” (que se estende da China ao norte do Irã). No Brasil, a doença mantém-se relevante e letal. Dados atualizados da Estimativa 2023-2025 do Instituto Nacional de Câncer (INCA) projetam cerca de 10.990 novos casos anuais no país. A incidência é marcadamente maior no sexo masculino, ocupando a 6ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes nos homens (excetuando-se o câncer de pele não melanoma). Historicamente, o Carcinoma Epidermoide representa a grande maioria dos casos (cerca de 96% em séries históricas brasileiras), intimamente ligado ao tabagismo e etilismo. Contudo, observamos uma transição epidemiológica importante: o Adenocarcinoma distal tem apresentado um crescimento exponencial, impulsionado pela epidemia de obesidade e pela Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) que culmina no Esôfago de Barrett.

Fatores de Risco e Prevenção

A gênese do câncer esofágico é multifatorial, e a prevenção passa pela mitigação destes agentes:

  • Tabagismo e Etilismo: A combinação destes dois fatores tem efeito sinérgico, multiplicando exponencialmente o risco para o tipo Epidermoide.
  • Hábitos Alimentares: O consumo frequente de bebidas em temperaturas muito elevadas (comum em certas culturas regionais brasileiras) causa dano térmico crônico à mucosa. Dietas pobres em frutas e vegetais também são fatores predisponentes.
  • Condições Precursoras:
    • Acalasia: A estase alimentar crônica promove inflamação da mucosa.
    • Tilose: Hiperqueratose palmoplantar associada a alto risco de CEC.
    • Esôfago de Barrett: A metaplasia intestinal causada pelo refluxo ácido crônico é a lesão precursora do Adenocarcinoma.
    • Outros: Síndrome de Plummer-Vinson, ingestão de cáusticos e infecção pelo HPV.

Quadro Clínico: O Desafio do Silêncio

O grande obstáculo no manejo do câncer de esôfago é a ausência de sintomas precoces. A distensibilidade da parede esofágica permite que o tumor cresça significativamente antes de causar obstrução. Quando sintomático, o paciente tipicamente apresenta:

  1. Disfagia Progressiva: Inicialmente para sólidos, evoluindo para pastosos e líquidos.
  2. Perda Ponderal: Frequentemente severa (>10% do peso corporal), devido à disfagia e ao catabolismo tumoral.
  3. Odinofagia e Dor Retroesternal: Indicativos de invasão local ou ulceração.

Propedêutica e Diagnóstico

O padrão-ouro para o diagnóstico é a Endoscopia Digestiva Alta (EDA) com biópsia.

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Para o cirurgião e endoscopista, o uso de cromoscopia é vital. O Lugol é utilizado para corar o epitélio escamoso normal (rico em glicogênio), deixando áreas neoplásicas ou displásicas “não coradas” (amarelo-claras), facilitando a biópsia dirigida no Carcinoma Epidermoide. Já o Azul de Toluidina ou métodos digitais (NBI/FICE) auxiliam na detecção do Barrett e Adenocarcinoma precoces. O estadiamento deve ser rigoroso, utilizando Tomografia Computadorizada (tórax e abdome superior) e, idealmente, a Ecoendoscopia (Ultrassom Endoscópico) para avaliar a invasão da parede (T) e linfonodos regionais (N), além do PET-CT para exclusão de metástases à distância.

Abordagem Terapêutica: Multimodalidade

O tratamento depende estritamente do estadiamento e da localização tumoral (Cervical, Torácico ou Junção Esôfago-Gástrica).

  1. Doença Precoce (Tis/T1a): Pode ser passível de Ressecção Endoscópica (Mucosectomia ou ESD), preservando o órgão com taxas de cura elevadas (98%).
  2. Doença Localmente Avançada: A cirurgia isolada raramente é suficiente. O padrão atual envolve Terapia Neoadjuvante (Quimioterapia + Radioterapia pré-operatória) seguida de Esofagectomia com Linfadenectomia. A cirurgia é de alta complexidade, podendo ser realizada por via aberta, laparoscópica ou robótica (técnicas de Ivor Lewis ou McKeown).
  3. Doença Metastática ou Irressecável: O foco torna-se paliativo. A inserção de próteses autoexpansíveis (stents) endoscópicos restaura a via oral e a dignidade do paciente. A radioterapia e braquiterapia também desempenham papel no controle local da disfagia e sangramento.

Fluxograma

Pontos-Chave para a Prática Cirúrgica

  • Rastreamento: Pacientes com DRGE crônico (há mais de 5-10 anos) ou sintomas de alarme devem ser submetidos a endoscopia para rastreio de Barrett.
  • Anatomia: O esôfago não possui serosa, o que facilita a invasão precoce de estruturas mediastinais (traqueia, aorta, pericárdio).
  • Diagnóstico: Disfagia em adulto deve ser investigada com EDA imediatamente; não assuma benignidade sem visualização direta.

Conclusão

O câncer de esôfago exemplifica a necessidade da medicina moderna ser multidisciplinar. O cirurgião do aparelho digestivo não atua isolado, mas em concerto com o oncologista clínico, o radio-oncologista e o endoscopista. O diagnóstico precoce continua sendo a arma mais poderosa; contudo, mesmo em estágios avançados, a evolução das técnicas cirúrgicas e das terapias adjuvantes tem oferecido novas perspectivas de sobrevida e qualidade de vida aos nossos pacientes.

“A abordagem cirúrgica do esôfago foi, até recentemente, uma história de frustração. (…) O esôfago é um órgão que tolera a cirurgia mal, exceto quando executada com precisão absoluta.”Ivor Lewis (1946), cirurgião galês que revolucionou o tratamento do câncer de esôfago com a técnica de esofagectomia transtorácica.

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Hashtags: #CancerDeEsofago #CirurgiaDoAparelhoDigestivo #Oncologia #Esofagectomia #MedicinaBaseadaEmEvidencias

PÓLIPOS COLORRETAIS



Os pólipos colorretais são estruturas que se projetam na superfície da camada mucosa do intestino grosso, podendo ser neoplásicos ou não. Foi Morson, em 1976, quem melhor estabeleceu uma classificação para os diversos tipos de pólipos e a importância da progressão adenoma-câncer. Os pólipos foram divididos em: pólipos neoplásicos, caracterizados pelos adenomas e os carcinomas, e os pólipos não-neoplásicos, que incluem os tipos epiteliais hamartomatosos, inflamatórios, hiperplásicos ou metaplásicos. Os pólipos adenomatosos, que correspondem a cerca de 70% de todos os pólipos, são conhecidamente lesões pré-malignas que antecedem, em 10 a 15 anos, o câncer colorretal. Por conta dessa progressão lenta, a detecção de lesões pré-neoplásicas no intestino grosso é relevante na prevenção do surgimento e complicações do câncer colorretal. Os pólipos podem ser ressecados (polipectomia) antes da sua malignização, diminuindo sobremaneira a taxa de morbimortalidade do câncer colorretal.

A colonoscopia é o padrão-ouro para o diagnóstico do câncer colorretal e para a detecção e ressecção endoscópica das lesões precursoras. A realização de polipectomias e biópsias permite, através da histopatologia, avaliar o tipo histológico, o grau de displasia e as margens de ressecção a fim de quantificar seu potencial de malignização. O câncer colorretal é a quinta neoplasia maligna mais frequente no Brasil, e se estima que 26.990 novos casos tenham sido diagnosticados no ano de 2008, o que evidencia sua alta frequência. Estes valores correspondem a um risco estimado de 13 casos novos a cada 100 mil homens e 15 para cada 100 mil mulheres. Associado a isso, a grande maioria dos tumores malignos se origina dos adenomas, e a detecção e retirada precoces evitam a progressão para o câncer.

Risk for POSTOPERATIVE INFECTION

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Surgical site infections (SSIs) are a common surgical complication that affects between 2% and 5% of the 30 to 40 million operations that occur in the United States per year. SSIs are the most common nosocomial infection among surgical patients and are consistently the second most common healthcare-associated infection overall. Mortality rates after SSI are markedly higher when compared with patients without an SSI, as are the patient’s length of stay (mean, 7 days), hospital readmission rates, and direct patient costs ($500 to $3000 per infection).


Risk Factors

Development of an SSI requires microorganism contamination at the surgical site. During an operative procedure in which skin is incised, endogenous skin flora, the most common source of pathogens, are introduced into the exposed tissue. Additional sources of bacteria include patient colonization, mucous membrane or hollow viscous pathogens encountered during the operation, surgical personnel, operative instruments, and the operating room environment. An accepted surrogate for bacterial contamination at the surgical site is the wound classification. The risk of SSI increases with the degree of contamination and higher wound classifications. Wounds are classically defined as clean, clean-contaminated, contaminated, or dirty/infected. The NHSN developed a risk index by which the risk of an SSI can be predicted based on three major criteria: wound classification, American Society of Anesthesiologists (ASA) score, and duration of the operation. The SSI risk category is based on the number of factors present at the time of operation, including a wound class of 3 (contaminated) or 4 (dirty), an ASA class of 3 or greater, and an operation lasting longer than the 75th percentile of the duration of the specific operation. Each independent factor is given a single point if present, which determines the NHSN risk index category (0 to 3).

  • 1. Smoking
  • 2. Diabetes
  • 3. COPD: Chronic obstructive pulmonary disease
  • 4. CAD: coronary artery disease
  • 5. Nutritional status
  • 6. Immunosuppression
  • 7. Chronic corticosteroid use
  • 8. Low serum albumin
  • 9. Obesity
  • 10. Advanced age

Retromuscular Prefascial Mesh Hernia Repair (Jean RIVES – René STOPPA)

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An incisional hernia is usually defined as a chronic postoperative defect of the abdominal wall through which intra-abdominal viscera protrude. Progress in surgical techniques, even with laparoscopic surgery, has not led to the elimination of incisional hernias. On the contrary, the incidence of this complication seems to be increasing as more major and lengthy operations are being performed, especially in elderly patients with concomitant organic disease. The incidence of this condition has been reported to be as high as 11% of all laparotomies. Surgical repair is difficult in the patient with a large abdominal wall defect, especially if the herniated viscera has “lost its right of domain” in the abdominal cavity. It must be remembered that surgical repair of an incisional hernia is not the same thing as closure of a laparotomy. Weakening of the abdominal wall and the consequences of decreased abdominal pressure on diaphragmatic mobility and respiratory function must also be considered. Placement of a prosthetic mesh is essential because without mesh, the recurrence rate is prohibitive, varying from 30% to 60%.  The  which is the subject of this article, was popularized by Jean Rives and has been used in our department since 1966.


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SIGMOID DIVERTICULITIS : OPTIONS OF TREATMENT


Sigmoid diverticulitis is a common disease which carries both a significant morbidity and a societal economic burden.  Recently published data indicate that sigmoid diverticulitis does not mandate surgical management after the second episode of uncomplicated disease as previously recommended. Rather, a more individualized approach, taking into account frequency, severity of the attacks and their impact on quality of life, should guide the indication for surgery. On the other hand, complicated diverticular disease still requires surgical treatment in patients with acceptable comorbidity risk and remains a life-threatening condition in the case of free peritoneal perforation. Laparoscopic surgery is increasingly accepted as the surgical approach of choice for most presentations of the disease and has also been proposed in the treatment of generalized peritonitis. There is not sufficient evidence supporting any changes in the approach to management in younger patients. Conversely, the available evidence suggests  that surgery should be indicated after one attack of uncomplicated disease in immunocompromised individuals.


SIGMOID DIVERTICULITIS_ REVIEW ARTICLE

Ethics in Surgery : R.I.S.K.

CIRURGIA SEGURA

Renewed public attention is being paid to ethics today. There are governmental ethics commissions, research ethics boards, and corporate ethics committees. Some of these institutional entities are little more than window dressing, whereas others are investigative bodies called into being, for example, on suspicion that financial records have been altered or data have been presented in a deceptive manner. However, many of these groups do important work, and the fact that they have been established at all suggests that we are not as certain as we once were, or thought we were, about where the moral boundaries are and how we would know if we overstepped them. In search of insight and guidance, we turn to ethics. In the professions, which are largely self-regulating, and especially in the medical profession, whose primary purpose is to be responsive to people in need, ethics is at the heart of the enterprise.

Responsibility to the patient in contemporary clinical ethics entails maximal patient participation, as permitted by the patient’s condition, in decisions regarding the course of care. For the surgeon, this means arriving at an accurate diagnosis of the patient’s complaint, making a treatment recommendation based on the best knowledge available, and then talking with the patient about the merits and drawbacks of the recommended course in light of the patient’s life values. For the patient, maximal participation in decision making means having a conversation with the surgeon about the recommendation, why it seems reasonable and desirable, what the alternatives are, if any, and what the probable risks are of accepting the recommendation or pursuing an alternative course.

This view of ethically sound clinical care has evolved over the latter half of the 20th century from a doctor-knows-best ethic that worked reasonably well for both patients and physicians at a time when medical knowledge was limited and most of what medicine could do for patients could be carried in the doctor’s black bag or handled in a small, uncluttered office or operating room. What practical steps can be taken by clinicians to evaluate patient attitudes and behavior relative to the patient’s cultural context so that the physician and patient together can reach mutually desired goals of care? Marjorie Kagawa-Singer and her colleagues at the University of California, Los Angeles, developed a useful tool for ascertaining patients’ levels of cultural influence. It goes by the acronym RISK:

Resources: On what tangible resources can the patient draw, and how readily available are they?

Individual identity and acculturation: What is the context of the patient’s personal circumstances and her degree of integration within her community?

Skills: What skills are available to the patient that allow him to adapt to the demands of the condition?

Knowledge: What can be discerned from a conversation with the patient about the beliefs and customs prevalent in her community and relevant to illness and health, including attitudes about decision making and other issues that may affect the physician-patient relationship.

TRATAMENTO DA TROMBOSE HEMORROIDÁRIA

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A trombose hemorroidária é uma condição dolorosa e desconfortável que ocorre quando um coágulo de sangue se forma dentro de uma hemorróida. Essa condição é mais comum em gestantes, pessoas com constipação intestinal crônica, e em situações que aumentam a pressão intra-abdominal, como exercícios físicos intensos e levantamento de peso. Neste artigo, exploraremos as causas, sintomas e opções de tratamento para a trombose hemorroidária, ajudando você a entender melhor essa condição e a buscar a melhor abordagem para o seu caso.

Causas da Trombose Hemorroidária

A trombose hemorroidária geralmente está relacionada a fatores de estilo de vida e hábitos pessoais. Os principais gatilhos incluem:

  • Obstipação (prisão de ventre): O esforço excessivo para evacuar aumenta a pressão nas veias do ânus, e as fezes endurecidas podem causar traumatismo no tecido anal.
  • Gravidez: A pressão adicional no abdômen durante a gravidez pode contribuir para o desenvolvimento da trombose.
  • Esforços prolongados e levantamento de peso: Atividades que aumentam a pressão intra-abdominal são fatores de risco.
  • Higiene inadequada: A falta de cuidados apropriados na região anal pode exacerbar a condição.
  • Fatores adicionais: Permanecer sentado por longos períodos, consumo excessivo de alimentos picantes e bebidas alcoólicas, e prática de sexo anal.

Sintomas da Trombose Hemorroidária

Os principais sinais de trombose hemorroidária incluem:

  • Dor intensa na região anal: A dor é geralmente súbita e pode ser bastante severa.
  • Sangramento: Frequentemente observado durante a evacuação.
  • Inchaço e aumento de volume: Um nódulo na região anal pode se tornar arroxeado ou preto, indicando a presença de um trombo.

Tratamentos Indicados

O tratamento da trombose hemorroidária varia conforme a gravidade da condição. Entre as abordagens recomendadas estão:

  • Uso de analgésicos e pomadas anestésicas: Para alívio da dor e desconforto.
  • Banhos de assento: Utilizar água morna para aliviar os sintomas e reduzir o inchaço.
  • Correção dos hábitos alimentares: Aumentar a ingestão de fibras e líquidos para prevenir a obstipação.
  • Tratamento cirúrgico: Em casos mais graves, pode ser necessário realizar uma cirurgia para remover a hemorróida e o trombo.

Se você apresenta sintomas semelhantes, é crucial consultar um médico para uma avaliação adequada e receber o tratamento adequado.

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Lembre-se: A informação aqui fornecida é para orientação geral. Sempre consulte seu médico para aconselhamento específico sobre sua situação.

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Leadership in SURGICAL TEAM

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Leadership is a process of social influence in which one person can enlist the aid and support of others in the accomplishment of a common task. Successful leaders can predict the future and set the most suitable goals for organizations. Effective leadership among medical professionals is crucial for the efficient performance of a healthcare system. Recently, as a result of various events and reports such as the ‘Bristol Inquiry’, and ‘To Err is Human’ by the Institute of Medicine, the healthcare organizations across different regions have emphasized the need for effective leadership at all levels within clinical and academic fields. Traditionally, leadership in clinical disciplines needed to display excellence in three areas: patient care, research and education.


Within the field of surgery, the last decade has seen various transformations such as technology innovation, changes to training requirements, redistribution of working roles, multi-disciplinary collaboration and financial challenges. Therefore, the current concept of leadership demands to set up agendas in line with the changing healthcare scenario. This entails identifying the needs and initiating changes to allow substantive development and implementation of up-to-date evidence. This article delineates the definition and concept of leadership in surgery. We identify the leadership attributes of surgeons and consider leadership training and assessment. We also consider future challenges and recommendations for the role of leadership in surgery.

PRINCIPLES OF LEADERSHIP FOR GENERAL SURGEONS

BILIARY-ENTERIC ANASTOMOSIS


ImagemThe operative conduct of the biliary-enteric anastomosis centers around three technical steps: 1) identification of healthy bile duct mucosa proximal to the site of obstruction; 2) preparation of a segment of alimentary tract, most often a Roux-en-Y jejunal limb; and 3) construction of a direct mucosa-to-mucosa anastomosis between these two. Selection of the proper anastomosis is dictated by the indication for biliary decompression and the anatomic location of the biliary obstruction. A right subcostal incision with or without an upper midline extension or left subcostal extension provides adequate exposure for construction of the biliary-enteric anastomosis. Use of retractors capable of upward elevation and cephalad retraction of the costal edges are quite valuable for optimizing visual exposure of the relevant hilar anatomy.

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Division of the ligamentum teres and mobilization of the falciform ligament off the anterior surface of the liver also facilitate operative exposure; anterocephalad retraction of the ligamentum teres and division of the bridge of tissue overlying the umbilical fissure are critical for optimal visualization of the vascular inflow and biliary drainage of segments II, III, and IV. Cholecystectomy also exposes the cystic plate, which runs in continuity with the hilar plate. Lowering of the hilar plate permits exposure of the left hepatic duct as it courses along the base of segment IVb. In cases of unilateral hepatic atrophy as a result of long-standing biliary obstruction or preoperative portal vein embolization, it is critical to understand that the normal anatomic relationships of the portal structures are altered. In the more common circumstance of  right-sided atrophy, the portal and hilar structures are rotated posteriorly and to the right; as a result, the portal vein, which is typically most posterior, is often encountered first; meticulous dissection is necessary to identify the common bile duct and hepatic duct deep within the porta hepatis.

BILIARY-ENTERIC ANASTOMOSIS_THECNICAL ASPECTS

GASTROINTESTINAL STROMAL TUMORS (GIST)

GIST


INTRODUÇÃO

GIST, da sigla em inglês gastrointestinal stromal tumors, pertence a um grupo de tumores chamados sarcoma de partes moles. Essa neoplasia se diferencia dos outros tipos de tumores por iniciar-se na parede dos órgãos, junto às camadas musculares do trato gastrointestinal, mais especificamente, nas células do plexo mioenterico, chamadas células de Cajal. Tais células são responsáveis pela motilidade intestinal, sendo consideradas o marca-passo do trato gastrointestinal.

O tumor de GIST é relativamente raro, com estudos atuais mostrando uma prevalência anual em torno de 20 a 40 casos por milhão de habitantes. É mais comum entre pessoas de 50 a 60 anos de idade, sendo extremamente raros até os 20 anos. Por representar um tumor raro, recomenda-se que seja tratado por serviços especializados com cirurgiões do aparelho digestivo, que tenham experiência multidisciplinar na condução e no tratamento dos pacientes com este tumor.

O GIST pode se originar em qualquer local do trato gastrointestinal, do esôfago ao ânus. Em relação à distribuição, 50% a 60% das lesões são provenientes do estômago, 20% a 30% do intestino delgado, 10% do intestino grosso, 5% do esôfago e 5% de outros locais da cavidade abdominal.

DIAGNÓSTICO

A apresentação clínica dos pacientes portadores de GIST não é especifica e depende da localização e do tamanho do tumor. O GIST tem uma característica biológica que é uma mutação genética, com ativação do proto-oncogene Kit e a superexpressão do receptor tirosina quinase (c-Kit). Geralmente, o diagnóstico é feito por uma biópsia da lesão, que a depender da localização, pode ser feita por endoscopia, colonoscopia, ou ecoendoscopia. A tomografia computadorizada do abdômen é importante para avaliação da extensão do tumor e também pode ser utilizada em alguns casos para realização de biópsia do tumor. Não apresentam sinais e/ou sintomas específicos. Podem causar náuseas, vômitos, hemorragias intestinais (vômitos com sangue ou evacuações com sangue ou fezes enegrecidas), sensação de plenitude após alimentação, dor e distensão abdominal, ou presença de uma massa ou tumor palpável no abdômen.

TRATAMENTO

O tratamento padrão para pacientes com GIST não metastático, ou seja, não provenientes de outros órgãos, é a ressecção cirúrgica completa da lesão. Muitas vezes é necessária a cirurgia radical e de grande porte, com a retirada de estruturas e órgãos aderidos, oferecendo a maior chance de cura. O tratamento com imatinib, e mais atualmente ao sunitinib, é utilizado para doença metastática ou irressecável, com intuito de diminuir o tamanho da lesão para que a cirurgia possa ser realizada em melhores condições locais. Tais drogas também podem ser utilizadas após a cirurgia. Para o tratamento sistêmico pode ser necessário estudo genético específico para saber qual a mutação presente no tumor, com intuito de guiar a terapia em relação à dose e tipo de medicação utilizada.

FATORES DE RISCO

Não há fatores de risco diretamente relacionados a essa neoplasia. Manter hábitos de vida saudáveis, uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos ajudam, de maneira geral, na prevenção do câncer.

PARA MAIS INFORMAÇÕES: http://www.gistsupport.org/

“Not only SURGEONS…”

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“… We need a system… which will produce not only surgeons but surgeons of the highest type,…men to study surgery and to devote their energy and their lives to raising the standard of surgical science…”

WS Halsted – Bull Johns Hopkins Hosp 15: 267, 1904.


Avanços no tratamento cirúrgico das METÁSTASES HEPÁTICAS DE ORIGEM COLORRETAL

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O câncer colorretal é o terceiro tumor mais frequente no ocidente. Cerca de 50% dos pacientes desenvolvem metástases hepáticas na evolução da doença, as quais são responsáveis por, no mínimo, dois terços das mortes. O avanço nas técnicas cirúrgicas e a melhora dos esquemas quimioterápicos têm permitido oferecer tratamento com intuito curativo a um número cada vez maior de pacientes. Os avanços recentes do tratamento das metástases hepáticas, incluindo estratégias para aumentar as ressecções (por exemplo: embolização da veia porta, ablação por radiofrequência, hepatectomia em dois tempos, quimioterapia de conversão e estratégia inversa de tratamento) e hepatectomias na presença de doença extra-hepática possibilitam uma melhor sobrevida dos pacientes.


METÁSTASES HEPÁTICAS DE ORIGEM COLORRETAL ARTIGO DE REVISÃO

TRANSPLANTE DE FÍGADO

Este artigo é destinado a pacientes que irão passar por um transplante hepático e seus familiares. Ele visa esclarecer dúvidas comuns e fornecer informações importantes para enfrentar a experiência de forma mais tranquila e informada.


1. Quando está indicado o transplante?

O transplante hepático é recomendado em casos de:

  • Cirrose Hepática: Quando exames mostram função hepática diminuída ou sintomas como ascite, sangramento digestivo, encefalopatia hepática ou peritonite bacteriana.
  • Hepatocarcinoma: Tumores originários do fígado, muitas vezes associados à cirrose, podem ser tratados com transplante.
  • Colangite Esclerosante e Obstrução Intratável de Vias Biliares: Doenças que causam obstrução das vias biliares e infecções graves.
  • Hepatite Fulminante e Perda do Fígado Transplantado: Em casos de hepatite grave ou perda do enxerto transplantado dentro de 30 dias, a urgência é priorizada.

2. Quais são as contra-indicações ao transplante hepático?

Não é indicado realizar o transplante em situações como:

  • Doença avançada em outros órgãos.
  • Tumores fora do fígado.
  • Abuso atual de drogas ou álcool.
  • Incapacidade de seguir orientações médicas.
  • Infecção ativa (o transplante pode ser realizado após a infecção ser controlada).

A idade avançada não é mais uma contra-indicação absoluta, mas deve ser avaliada individualmente.

3. A fila de transplante

Atualmente, a fila de transplante no Brasil é organizada pelo sistema Meld/Peld, que prioriza pacientes com base na gravidade da doença. A fila é subdividida por grupo sanguíneo (A, B, AB, O) e compatibilidade com o tamanho do paciente. Pacientes com grupo sanguíneo raro (AB) podem receber órgãos de todos os grupos.

4. O fígado “não ideal” (marginal)

Órgãos “não ideais” ou marginais podem ter características menos perfeitas, como mais gordura ou doadores com condições subótimas. Eles são destinados a pacientes com necessidades urgentes, como aqueles com tumores hepáticos.

5. A equipe

A equipe de transplante é composta por diversos profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas. Cada paciente passa por avaliações detalhadas de todos esses profissionais.

6. Como proceder em caso de emergências durante a espera pelo transplante

Em situações urgentes, dirija-se ao pronto-socorro ou entre em contato com sua equipe médica. As emergências incluem:

  • Vômitos com sangue.
  • Fezes com sangue ou escurecidas.
  • Queda de pressão, mal-estar súbito.
  • Colangite (febre, dor abdominal, icterícia).
  • Peritonite (infecção abdominal).

7. As reuniões com a Coordenação de Enfermagem de Transplantes

Reuniões regulares são realizadas para pacientes na fila e seus familiares, oferecendo a oportunidade de trocar experiências, fazer perguntas e receber atualizações sobre a lista de espera.

8. A doação de órgãos através de doador em morte encefálica

A doação é um ato voluntário feito com consentimento familiar. O paciente deve estar em morte encefálica, uma condição onde não há atividade cerebral, mas o coração e outros órgãos ainda funcionam. A entidade responsável é o Rio Transplante e os dados do doador são confidenciais.

9. Chamada para o transplante

Mantenha-se disponível e acessível para a equipe de transplante, com telefone atualizado e a uma distância máxima de duas horas do hospital. Caso seja chamado, esteja preparado para o possível ajuste no órgão doado.


A CIRURGIA DE TRANSPLANTE HEPÁTICO

A cirurgia dura entre 5 a 8 horas e é dividida em duas etapas principais:

  1. Captação: Retirada do fígado doado, que pode ser considerado apto, marginal ou inapto.
  2. Transplante: O fígado doente é retirado e o novo órgão é implantado, com a realização das anastomoses das veias, artéria hepática e via biliar.

Pós-operatório Imediato

Você será monitorado na UTI por aproximadamente 48 horas. Equipamentos como tubos respiratórios, eletrodos, sondas e drenos serão usados para garantir segurança e monitoramento.

Pós-operatório

A internação média é de 2 semanas, variando conforme o paciente. É importante realizar exames regularmente e seguir orientações médicas para movimentação e exercícios respiratórios.

Medicação

Os imunosupressores, fornecidos pelo SUS, são essenciais para evitar a rejeição do transplante. Familiarize-se com o processo de obtenção e renovação desses medicamentos. Outras medicações de rotina devem ser providenciadas pela família.

Intercorrências após o Transplante

Monitorar sinais de rejeição e infecções é crucial. Mantenha-se saudável, evite álcool e siga as orientações médicas rigorosamente.

Alta Hospitalar

Antes da alta, você receberá orientações detalhadas e agendamentos para consultas e exames. Siga as recomendações de fisioterapia, nutrição e outros cuidados necessários.

Seguimento Inicial e Tardio

O acompanhamento pós-transplante é fundamental. As consultas variam ao longo do tempo, com exames laboratoriais e visitas regulares ao hospital.

Efeitos Colaterais

Os imunosupressores podem causar efeitos colaterais, como tremores e aumento da glicose. Informe seu médico sobre qualquer efeito adverso e não suspenda a medicação por conta própria.

Cuidados Gerais

Controle o peso, colesterol, glicose e pressão arterial. Evite bebidas alcoólicas, use máscara em locais públicos, evite contato com pessoas doentes e exposição solar excessiva. Mantenha acompanhamento ginecológico e dentário regular e consulte seu médico antes de tomar novos medicamentos. Este artigo é uma referência para ajudar você a entender e gerenciar o processo de transplante hepático. Mantenha-se em contato com sua equipe médica para qualquer dúvida ou preocupação.


 

Telas de Baixa Gramatura: PHS e UHS


EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA HERNIORRAFIA INGUINAL

As hérnias não diminuem com o tempo, muito pelo contrário – o estado de saúde do paciente só tende a piorar, aumentando o risco cirúrgico – e não existe medicação para tratá-las. Os primeiros registros do tratamento cirúrgico das hérnias abdominais datam de 1500 a.C,  mencionadas no Papiro de Ebers. Em 100 d.C.  Celso, realizando os primórdios da cirurgia convencional, extirpava o saco herniário e deixava intactos o cordão e o testículo. Já em 700 d.C. , numa conduta mais agressiva, Pablo de Egina, sacrificava o testículo. Utilizando o princípio da cauterização dos tecidos pelo calor, Albucasis em  1000 d.C., expunha o saco herniário e o cauterizava. Com o advento da técnica asséptica registra-se,  em 1869, a realização por Lister da primeira hérnia estrangulada em caráter de urgência com princípios antissépticos. O primeiro esboço de padronização da técnica operatória das hérnias abdominais ocorre a partir da publicação dos estudos de Edoardo Bassini, em 1887, primeiro estudo de reparo de hérnias com suturas. A técnica se propaga pelo mundo mas a deficiente comunicação e as múltiplas modificações levam a  resultados negativos. Já em 1940, Earle Shouldice, usando quatro planos de reforço, revoluciona a técnica com tensão, principalmente após 1950 com um melhor entendimento da anatomia, porém observam-se ainda recorrências altas, acima de 10%. Em 1967, René Stoppa e Jean Rives, utilizam a técnica pré-peritoneal com a introdução de um novo conceito: a prótese. Uma tela gigante recobrindo todos os possíveis orifícios herniários, obtendo excelente taxa de recidiva, às custas da necessidade de incisão mediana e descolamento amplo pré-peritoneal.

PADRÃO OURO

Somente em 1984 Irving Lichtenstein, por via anterior, utiliza uma tela de polipropileno. Esta técnica foi considerada uma grande evolução e passou,  nos anos 90, a ser considerado o Padrão Ouro nos reparos das hérnias inguinais possibilitando, pela primeira vez, o reparo ambulatorial com anestesia local e sedação. Com o inicio da cirurgia videolaparoscópica no início dos anos 90, desenvolveram-se diversas técnicas utilizando-se a tela pela técnica laparoscópica. Devido aos altos custos e complexidade do procedimento cirúrgico e anestésico em comparação à técnica por via aberta, estas não se estabeleceram como melhor opção. Finalmente, em 1997, Arthur  Gilbert, inicia o sistema PHS (“Prolene Hernia System”) que reúne as vantagens quanto a recidiva do reparo pré-peritoneal, a simplicidade de fixação da técnica de plug e eficácia da técnica de tela plana através de um reparo tridimensional com uma tela dupla colocada pela via anterior. Dois anos mais tarde, ocorre a publicação dos primeiros resultados do PHS – `Hernia Institute of Florida – USA, firmando o aspecto inovador e a eficácia da tela dupla, otimizando o conforto e segurança do paciente e proporcionando retorno mais precoce às atividades laborativas e utilizando facilmente anestesia local e sedação.

Veja AQUI COMO ESCOLHER A PRÓTESE para seu paciente com Hérnia Abdominal.


Diagnóstico Diferencial dos Tumores do Mediastino

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A existência de cistos e tumores primários do mediastino tem vindo a ser relatada com uma incidência crescente. Os avanços das técnicas radiológicas, incluindo a TC e a RM, aumentaram singularmente a capa-cidade de avaliar pré – operatoriamente a natureza e a extensão das lesões do mediastino. Por outro lado, os progressos terapêuticos têm sido relacionados com um diagnóstico mais precoce e com uma maior efetividade dos regimes de radioterapia e de quimioterapia.


ARTIGO DE REVISÃO_TUMORES DO MEDIASTINO

PRESCRIÇÃO MÉDICO-CIRÚRGICA

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“de nada adianta um diagnóstico brilhante se o seu tratamento não for compreendido.”


Em 2000, o Institute of Medicine dos Estados Unidos publicou o estudo marcante “To Err is Human”, que trouxe à tona a discussão global sobre erros na assistência à saúde. O relatório revelou que entre 44.000 e 98.000 pessoas morriam anualmente nos EUA devido a erros na área da saúde. Entre essas, 7.000 mortes anuais eram atribuídas a erros de medicação, um número superior ao de mortes por câncer de mama, AIDS ou acidentes de veículos. O custo total dos eventos adversos preveníveis foi estimado em 17 a 29 bilhões de dólares.

Princípios da Prescrição Médica Hospitalar na Clínica Cirúrgica 💊📋

Itens Básicos:

  1. Alerta sobre ALERGIAS ⚠️
  2. Dieta Oral (Tipos: Líquida restrita, Pastosa, etc.) 🍲
  3. Suporte Nutricional: Enteral ou Parenteral 🥤
  4. Prevenção da Úlcera Gastroduodenal de Stress 💉
  5. Hidratação Venosa 💧
  6. Correção dos Distúrbios Hidroeletrolíticos – Hemoderivados 💉
  7. Antibioticoterapia (Dias de Uso/Dias Previstos) 💊
  8. Analgesia 🩹
  9. Tratamento e Prevenção das NVPO (Náuseas e Vômitos Pós-Operatórios) 🤢
  10. Tratamento e Prevenção do TEP (Tromboembolismo Pulmonar) 💔
  11. Medicações de Uso Contínuo 💊
  12. Nebulizações 🌬️
  13. Fisioterapia Motora e Respiratória 🏃‍♂️💨
  14. Glicemia Capilar – Esquema de Insulina Regular 🩸
  15. Posição do Paciente (Ex. Cabeceira Elevada) e Mudança de Decúbito 🛏️
  16. Cuidados com Drenos, Sondas e Ostomias 🚑
  17. Curativos 🩹
  18. Controles dos Sinais Vitais 📈
  19. Controle da Diurese nas 24h 💦
  20. Avaliações Especializadas e Interconsultas 🩺
  21. Programação de Exames Complementares ou Procedimentos Cirúrgicos 🔬
  22. Uso Obrigatório de EPIs (Pacientes com HVB, HVC ou HIV) 🦠
  23. Outras Recomendações 🔍

Recomendações para uma BOA PRESCRIÇÃO 📝💡

  1. Identifique alergias e interações medicamentosas ⚠️
  2. Utilize sempre letra legível ou opte pela prescrição digitada 🖋️💻
  3. Evite o uso de abreviaturas 🚫
  4. Utilize denominações genéricas. Evite fórmulas químicas e abreviações nos nomes dos medicamentos 📋
  5. Confira as doses prescritas em fontes de informação atualizadas e baseadas em evidências 📚
  6. Utilize sempre o sistema métrico para expressar as doses (ml, mg, g, mcg, etc.) 📏
  7. Arredonde as doses para o número inteiro mais próximo, especialmente em prescrições pediátricas 🔢
  8. Não utilize “vírgula e zero” após a dose para evitar erros de interpretação (por exemplo, “5,0” se transformando em “50”) ❌
  9. Verifique se todos os elementos necessários foram incluídos na prescrição ✅
  10. Não suprima nenhuma informação de identificação do paciente 🆔

A precisão na prescrição médica é crucial para a segurança do paciente e para a eficiência dos cuidados. Seguir essas diretrizes contribui significativamente para a redução de erros e para a melhoria da qualidade da assistência.

“Ex nihilo nihil fit”

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A cirurgia é uma forma de terapia para as doenças que é motivada pelo CORAÇÃO, planejada na CABEÇA e executada pelas MÃOS.

Surgery by DeMester


“A cirurgia é uma forma de terapia para as doenças que é motivada pelo CORAÇÃO, planejada na CABEÇA e executada pelas MÃOS.”

Prof . Phd. Tom DeMeester

DEFINIÇÃO DE CIRURGIA (By Tom DeMeester / Gastrão 2012)


PREVENÇÃO DO TROMBOEMBOLISMO NA CIRURGIA DO CÂNCER DO APARELHO DIGESTIVO

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ARTIGO DE REVISÃO_TVP_CÂNCER  DO APARELHO DIGESTIVO


Tromboembolismo venoso é complicação frequente após tratamento cirúrgico em geral e, de um modo especial, na condução terapêutica do câncer. A cirurgia do aparelho digestivo tem sido referida como potencialmente indutora desta complicação. Ela tem maior representatividade em determinados segmentos anatômicos e nas condições em que se associam fatores de risco dos pacientes. A prevenção do tromboembolismo é tema de grande importância na prática diária dos cirurgiões. Várias são as formas físicas e medicamentosas que podem ser utilizadas. Nos últimos anos abordagens novas, tanto em relação às manobras físicas como em posologia medicamentosa, têm sido estudadas com boa metodologia. Estes novos enfoques ainda são pouco divulgados e talvez pouco conhecidos pela maioria dos cirurgiões. No câncer a importância desse tema é ainda maior que nas doenças benignas. A Medicina Baseada em Evidências incorpora dados obtidos com base nas mais recentes revisões sistemáticas disponíveis na literatura originando várias formas de contribuições científicas. BOM ESTUDO.

Lesão de Vias Biliares na Colecistectomia: Prevenção e Tratamento



A via laparoscópica tem sido reconhecida como padrão de excelência para a colecistectomias. Phillipe Mouret foi quem primeiro a realizou em 1987, mas outros procedimentos já haviam sido realizados por laparoscopia e foram descritos por ginecologistas. Desenvolvida no final da década de 80 e início dos anos 90, a videolaparoscopia mudou os conceitos de acesso cirúrgico e campo operatório, introduzindo a concepção de “cirurgia minimamente invasiva”.A colecistectomia é um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados no mundo. Com o advento da videolaparoscopia, tornou-se uma cirurgia menos traumática, mais estética, com períodos mais curtos de internação. Em contrapartida, observou-se o aumento da incidência de lesões de via biliar extra-hepática quando comparado ao procedimento aberto, fato preocupante devido à morbidade elevada desse tipo de lesão, cuja mortalidade não é desprezível.

O RELATO CIRÚRGICO

A Arte e a Ciência da Documentação no Bloco Operatório

Autor: Prof. Dr. Ozimo Gama (Tempo de Leitura: 10 minutos)

Introdução

Na prática da cirurgia do aparelho digestivo, existe um aforismo não escrito, mas implacável: a cirurgia não termina quando o último ponto é dado na pele, mas sim quando o relato cirúrgico é assinado. O relato (ou descrição) cirúrgico é o documento médico-legal mais importante do perioperatório. Ele é o testemunho definitivo e detalhado de tudo o que ocorreu dentro das portas cerradas do centro cirúrgico. Infelizmente, é comum observarmos descrições feitas de forma apressada, “oficiosa” ou sumariíssima. O uso de frases genéricas como “cirurgia realizada pela técnica habitual” deve ser criticado com veemência e banido da nossa prática. Tais descrições padronizadas omitidas não apenas empobrecem a ciência cirúrgica, perdendo valiosos detalhes para consultas e pesquisas, mas também representam um verdadeiro suicídio jurídico em caso de litígio. O ato cirúrgico exige uma dissertação minuciosa e fiel à realidade biológica e técnica enfrentada.

A Anatomia de um Relato Perfeito

A elaboração da descrição cirúrgica não deve ser um fardo burocrático, mas um exercício de reflexão. Pela sua importância, este relatório pode e deve ser redigido em um momento de calma, propício à clareza mental e ao zelo pela legibilidade. Para garantir a eficácia documental, científica e legal, o relato cirúrgico deve obrigatoriamente conter a seguinte estrutura:

1. Cabeçalho e Identificação Exaustiva

  • Identificação do Paciente: Nome completo, idade, número de prontuário (registro hospitalar) e leito.
  • Equipe Cirúrgica: Nome do cirurgião principal, 1º e 2º auxiliares, instrumentador(a) e equipe de anestesiologia. A omissão de membros da equipe é uma falha ética grave.
  • Procedimento e Diagnóstico: Nome técnico claro e completo da cirurgia proposta e da cirurgia efetivamente realizada. Registro da condição patológica que motivou a intervenção, bem como afecções concomitantes encontradas.
  • Cronometria: Hora exata do início da incisão e hora do término da operação (fechamento cutâneo).

2. O Cenário e o Acesso

O relato deve descrever como o paciente foi preparado:

  • Posição e Preparo: Posição do paciente na mesa (ex: decúbito dorsal, posição de Lloyd-Davies), uso de coxins de proteção (vital para evitar alegações de lesões de nervos periféricos), e os produtos utilizados para a antissepsia da pele.
  • Via de Acesso: Descrição detalhada da incisão (ex: mediana supraumbilical, incisão de Mercedes) ou do posicionamento exato dos trocartes na cirurgia laparoscópica/robótica.

3. A Dissertação Técnica (O Ato em Si)

É aqui que a “técnica habitual” deve dar lugar à precisão milimétrica:

  • Achados e Aspecto da Afecção: Descrever o grau de inflamação, fibrose, disseminação tumoral, presença de ascite ou aderências. O que os seus olhos viram ao abrir a cavidade?
  • Tática e Técnica Operatória: Descrever o passo a passo. Como os ligamentos foram seccionados? Onde a artéria foi ligada? Houve uso de eletrocautério (monopolar/bipolar) ou energia ultrassônica?
  • Fios e Suturas: Especificar os tipos de fios (ex: Polidioxanona 3-0, Polipropileno 1), o tipo de sutura (contínua, separada, invaginante) e o uso de grampeadores mecânicos (marca e cor da carga).

Aplicação na Cirurgia Digestiva: Prevenção e Rastreabilidade

No contexto das operações do aparelho digestivo, frequentemente lidamos com ressecções de órgãos, anastomoses e potencial de contaminação.

  • Exames Transoperatórios: Relatar a realização de Colangiografia Intraoperatória (descrevendo seus achados: “ausência de falhas de enchimento, passagem livre de contraste para o duodeno”) ou de ultrassonografia intraoperatória.
  • Gestão de Peças e Biópsias: Deve constar explicitamente o envio de peças cirúrgicas, linfonodos ou secreções colhidas para exame histopatológico e/ou cultura.
  • Controle de Gaze e Instrumental: É mandatório registrar que a equipe de enfermagem (circulante/instrumentador) realizou e confirmou a contagem dupla de todas as compressas, gazes e instrumentais antes do fechamento da cavidade. Isso isenta a equipe nos tristes casos de corpos estranhos retidos (gossipiboma).
  • Intercorrências e Acidentes: Qualquer lesão inadvertida (ex: lesão esplênica ao tracionar o estômago), sangramentos acima do esperado ou instabilidade hemodinâmica devem ser relatados com transparência, bem como as medidas táticas adotadas para a sua resolução.

Pontos-Chave para a Prática Diária

  • Fuja do “Control C + Control V”: O relato padrão pré-descrito é injustificável em qualquer caso. Cada ser humano possui uma anatomia única; cada cirurgia é um evento singular.
  • Medicina Legal e Traumas: Em lesões por arma branca ou de fogo, o relato deve descrever rigorosamente os trajetos internos. Projéteis ou objetos extraídos devem ser descritos, rotulados e entregues à autoridade policial/instituto médico-legal com protocolo de recebimento assinado.
  • Desenhos Esquemáticos: Sempre que possível ou quando o sistema do prontuário permitir, a inclusão de esquemas anatómicos desenhados pelo cirurgião eleva imensamente o valor elucidativo do documento.

Conclusões Aplicadas

A descrição cirúrgica bem executada é um pilar da credibilidade profissional do cirurgião. É ela que justifica a complexidade do ato perante o faturamento hospitalar e os planos de saúde. É ela que orienta o oncologista sobre o estadiamento patológico. E, acima de tudo, é ela o escudo protetor da equipe em caso de demandas judiciais ou sindicâncias ético-profissionais. Criticar as descrições sumárias e incentivar a literatura cirúrgica detalhada nos prontuários é um dever de todos os preceptores de residência médica. Um relato rico e minucioso reflete não apenas o rigor técnico, mas o respeito sagrado do cirurgião pela história daquele paciente.

“Ex nihilo nihil fit.” (Do nada, nada surge). — Princípio filosófico. Na cirurgia moderna, aquilo que não foi detalhadamente escrito, juridicamente e cientificamente, nunca aconteceu.

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Prevenção e Rastreamento do Câncer Colorretal

O Papel Proativo do Cirurgião na Interrupção da Sequência Adenoma-Carcinoma

Autor: Prof. Dr. Ozimo Gama (Tempo de Leitura: 9 minutos)

Introdução

O Câncer Colorretal (CCR) representa um dos maiores paradoxos da oncologia moderna: é uma das neoplasias mais letais e prevalentes no mundo, e, simultaneamente, uma das mais preveníveis. Para o cirurgião do aparelho digestivo, compreender a biologia tumoral e os protocolos de rastreamento (screening) é tão fundamental quanto dominar a técnica de uma retossigmoidectomia com excisão total do mesorreto (TME). A prevenção do CCR não se restringe a orientações dietéticas; ela é um ato intervencionista. Ao compreender e atuar na fisiopatologia da doença, o médico em formação — seja o estudante de medicina ou o residente de cirurgia — assume o protagonismo na redução da morbimortalidade associada a esta patologia.

O Cenário Brasileiro

A relevância do CCR no Brasil exige atenção redobrada. Segundo as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2023-2025, são esperados cerca de 45.630 novos casos anuais no país. Atualmente, o CCR ocupa a segunda posição entre os cânceres mais incidentes tanto em homens quanto em mulheres (excluindo os tumores de pele não melanoma). As regiões Sul e Sudeste concentram as maiores taxas, refletindo a íntima relação da doença com a urbanização, sedentarismo e ocidentalização da dieta (alto consumo de carne vermelha processada e baixo teor de fibras).

A Janela de Oportunidade Biológica

A pedra angular da prevenção do CCR é a teoria genética da sequência adenoma-carcinoma, descrita classicamente por Vogelstein. Sabemos que mais de 90% dos carcinomas colorretais esporádicos surgem de lesões benignas precursoras (pólipos adenomatosos ou lesões serrilhadas). Esse processo de acúmulo de mutações genéticas (como APC, KRAS, TP53) é lento. Estima-se que a transição de um adenoma inicial para um adenocarcinoma invasivo leve de 10 a 15 anos. Esta progressão insidiosa cria uma “janela de oportunidade” excepcional para a intervenção médica: a detecção e ressecção das lesões precursoras antes que a malignidade se instale.

Fatores de Risco e Prevenção Primária

A prevenção primária foca em evitar o surgimento dos pólipos. Envolve a mitigação de fatores de risco modificáveis:

  • Dietéticos: Redução do consumo de carnes processadas e vermelhas; aumento da ingestão de fibras, cálcio e vitamina D.
  • Estilo de vida: Combate ao tabagismo, ao etilismo excessivo e à obesidade (o tecido adiposo visceral é um órgão endócrino ativo que promove um estado pró-inflamatório crônico).

Aplicação na Cirurgia Digestiva: O Rastreamento (Prevenção Secundária)

Para o cirurgião endoscopista, a colonoscopia é a arma definitiva. Diferente de outros métodos de rastreio (como a mamografia ou o PSA, que são puramente diagnósticos), a colonoscopia é diagnóstica e terapêutica.

Protocolos de Rastreamento (Screening)

As diretrizes globais sofreram mudanças recentes devido ao aumento alarmante da incidência de CCR em adultos jovens (abaixo dos 50 anos).

  1. Risco Habitual (População Geral): A Sociedade Americana de Câncer (ACS) e a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF) passaram a recomendar o início do rastreamento aos 45 anos (e não mais aos 50). No Brasil, sociedades médicas (como o CBCD e a SOBED) já endossam essa antecipação. O rastreio pode ser feito através de Colonoscopia (a cada 10 anos) ou Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (FIT) anualmente, reservando a colonoscopia para os casos positivos.
  2. Risco Aumentado (Histórico Familiar): Pacientes com parente de 1º grau com CCR ou adenoma avançado devem iniciar o rastreio aos 40 anos, ou 10 anos antes da idade de diagnóstico do familiar mais jovem (o que ocorrer primeiro).
  3. Alto Risco (Síndromes Hereditárias e DII):
    • PAF (Polipose Adenomatosa Familiar): Rastreio inicia aos 10-12 anos de idade com retossigmoidoscopia. A colectomia profilática é a regra.
    • Síndrome de Lynch (HNPCC): Colonoscopia anual ou bienal a partir dos 20-25 anos.
    • Doenças Inflamatórias Intestinais (Retocolite Ulcerativa e Crohn): Rastreio intensivo com biópsias seriadas após 8 anos de doença ativa devido ao risco de displasia secundária à inflamação crônica.

Pontos-Chave para a Prática Diária

  • Idade de Início: Atualize-se sobre a mudança paradigmática do início do rastreamento para os 45 anos na população de risco habitual.
  • Polipectomia é Prevenção: A remoção endoscópica de um adenoma tubular (polipectomia, mucosectomia ou ESD) não é apenas um procedimento diagnóstico; é um ato cirúrgico profilático que salva vidas.
  • História Clínica: A anamnese detalhada sobre o histórico oncológico familiar é o teste genético mais barato e eficaz à disposição do médico. Nunca negligencie a construção do heredograma.

Conclusões Aplicadas

A cirurgia oncológica colorretal atingiu patamares de excelência técnica com a laparoscopia e a cirurgia robótica. No entanto, o triunfo definitivo do cirurgião do aparelho digestivo não reside na ressecção de grandes massas tumorais, mas sim na sua prevenção. A atuação ativa do especialista na conscientização dos pacientes, na solicitação rigorosa de exames de rastreio nos prazos adequados e na execução meticulosa de colonoscopias profiláticas é o que verdadeiramente altera a curva epidemiológica desta doença devastadora no Brasil e no mundo.

“As nações ocidentais estão cavando suas próprias sepulturas com os próprios dentes. (…) Se você tem um chão inundado por uma torneira aberta, de nada adianta passar um esfregão sem antes fechar a torneira.”Denis Parsons Burkitt, renomado cirurgião e pesquisador, sobre a importância da dieta e da prevenção nas doenças do trato gastrointestinal.

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Apendicectomia Convencional X Laparoscópica : Existe Vantagem?

A apendicite aguda é uma doença freqüente que acomete em sua maioria homens com uma idade média ao redor de 20 anos. O seu tratamento é cirúrgico e está bem estabelecido em sua abordagem convencional. O surgimento e o desenvolvimento da videolaparoscopia abriu uma nova opção para a abordagem cirúrgica dessa patologia, permitindo uma abordagem minimamente invasiva com todas as vantagens dessa técnica.

A primeira apendicectomia videolaparoscópica foi realizada há pouco mais de 20 anos. Nessas duas décadas muito se discutiu, e ainda discute-se, a respeito deste procedimento. Mesmo encontrando com freqüência vários estudos bem realizados na literatura, ainda não há um consenso a respeito das indicações precisas para a realização da apendicectomia laparoscópica; ou mesmo sobre qual método seria superior – o convencional ou o laparoscópico. No entanto, uma revisão atual da literatura nos permite observar que os novos estudos mostram a apendicectomia laparoscópica como um procedimento seguro e eficaz, que pode ser utilizado no tratamento da apendicite complicada em qualquer faixa etária e quando o diagnóstico é duvidoso. Por estes motivos, essa opção cirúrgica está ganhando cada vez mais aceitação sendo que vários trabalhos recentes apontam-na como procedimento de escolha no tratamento da apendicite aguda.


ARTIGO DE METANÁLISE

VALORES ÉTICOS DOS ESTAGIÁRIOS DA CLÍNICA CIRÚRGICA

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EXCELÊNCIA

 Nunca baixar os seus padrões pessoais e profissionais. Fazer sempre o melhor, NÃO SOMENTE O POSSÍVEL.

INTEGRIDADE

 Fazer sempre a coisa certa, mesmo quando ninguém está olhando.

RESPONSABILIDADE

 Cumprir rigorosamente as atribuições em relação aos cuidados com os pacientes do serviço.

ATITUDE

Ser uma força positiva com comprometimento na melhor assistência ao paciente.

DISCIPLINA

 É a construção diária do seu objetivo.

PERSEVERANÇA

 O sucesso vem um pequeno passo de cada vez. O amanhã começa agora.

 

Úlcera Péptica Perfurada: Sutura ou Ressecção?



A perfuração tem sido a complicação da úlcera péptica mais operada nos últimos anos . Devido à grande eficiência dos novos medicamentos para o tratamento clínico das úlceras gastroduodenais, a cirurgia para o tratamento dessa doença tem ficado apenas para o caso de algumas complicações, principalmente a estenose e a perfuração. Também devido ao pequeno número de gastrectomias para o tratamento das úlceras pépticas, o treinamento dos jovens cirurgiões ficou prejudicado, sendo que esses têm pouca familiaridade com o procedimento. Devido a todos esses fatores, o tratamento cirúrgico da úlcera perfurada traz grandes dilemas ao cirurgião. A úlcera aguda perfurada , isto é , aquela que não apresenta o calo fibroso ao redor da perfuração, deve ser tratada com a simples sutura da lesão. Já a úlcera crônica perfurada deve ser tratada sempre que possível pela gastrectomia. Uma revisão da literatura mostrou que, em algumas situações, é prudente se evitar a ressecção gástrica e optar pela sutura. Essas situações podem ser resumidas em: inexperiência do cirurgião na realização de gastrectomia apropriada, cavidade abdominal muito contaminada, paciente em mau estado geral em que o prolongamento do ato operatório irá piorar o quadro clínico, pacientes com mais de 60 anos, mais de 24 horas de perfuração e perfuração gástrica ou duodenal maior que 5 milímetros. A sutura tem elevadas taxas de recidiva ulcerosa (+ de 50%) e baixas taxas de mortalidade, a vagotomia associada a alguma técnica de drenagem apresenta baixa mortalidade porém a taxa de recidiva ainda é alta (10%) e, finalmente, a gastrectomia parcial tem taxa de mortalidade pouco maior que a vagotomia porém a recidiva ulcerosa é extremamente baixa (<1%). A gastrectomia parcial é o procedimento por nós preferido quando a ressecção gástrica está indicada devido à sua segurança e às baixas taxas de recidiva. Podemos concluir, portanto, que o melhor tratamento para a úlcera péptica perfurada é aquele que leva em conta o tipo de perfuração, as condições clínicas do doente, as condições locais da cavidade abdominal e a experiência do cirurgião na realização da gastrectomia.