Timing of Elective Surgery after #COVID19 Infection
The options to clear a recovered COVID-19 patient for surgery could be a symptom or test-based strategy. The studies recommend a hybrid strategy until more information is available. Surgical procedures should be delayed if possible for 4–6 weeks. The scientific data recommend against routine testing in this group as patients are likely not infectious any-more and risk of airway reactivity or ARDS will be reduced. Between 2 and 4 weeks after symptom onset, scientific data recommend a test-based strategy due to insufficient data that recovered COVID patients are completely uninfectious. Data from China suggest that patients with severe symptoms have higher viral burden and prolonged viral shedding. For surgery completion<2 weeks after COVID-19 symptoms or diagnosis, scientific data recommend no testing and operating under COVID isolation precautions in the operating room. Immunocompromised patients are likely to shed longer and may be at higher risk of other infectious or pulmonary complications. The scientific data suggest individualized case-based decisions by involved providers until more information is available.
Aderências Pós-Operatórias
Do Manejo Conservador à Decisão Cirúrgica
Autor: Prof. Dr. Ozimo Gama (Tempo de Leitura: 10 minutos)

Introdução
A obstrução intestinal é um dos cenários mais desafiadores e frequentes no pronto-socorro cirúrgico. Historicamente, o abdome agudo obstrutivo impunha o dilema imediato da exploração cirúrgica. Hoje, compreendemos que a etiologia dita o compasso da intervenção. Entre todas as causas de obstrução do intestino delgado, as aderências pós-operatórias (bridas) assumem o protagonismo absoluto. Para o estudante de medicina, o residente e o cirurgião do aparelho digestivo, dominar o manejo da obstrução por bridas é essencial. O desafio não reside apenas na técnica operatória da enterólise, mas sim no raciocínio clínico aguçado para responder à pergunta fundamental: quando persistir no tratamento conservador e quando a indicação cirúrgica se torna imperativa?
Cenário Brasileiro
A formação de aderências peritoniais é uma resposta fisiológica quase universal ao trauma cirúrgico (isquemia, manipulação, coágulos), ocorrendo em até 90% dos pacientes submetidos a laparotomias. Contudo, em uma parcela significativa, essa cicatrização aberrante leva à obstrução mecânica. Na prática da cirurgia geral no Brasil, a obstrução por bridas responde por cerca de 60% a 75% das admissões por obstrução do intestino delgado. Dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS) indicam que milhares de laparotomias exploradoras são realizadas anualmente no país devido a quadros obstrutivos agudos, gerando elevado custo financeiro e considerável morbimortalidade, além de reinternações frequentes.
Fisiopatologia e Diagnóstico
O peritônio, quando lesado, inicia uma cascata inflamatória rica em fibrina. Em condições normais, a fibrinólise degrada essa matriz em poucos dias. O desequilíbrio nesse sistema — com falha na fibrinólise peritonia — resulta na organização da fibrina em tecido conjuntivo vascularizado: a aderência.
A Tríade Diagnóstica
O diagnóstico é eminentemente clínico e radiológico:
- Clínica: Dor abdominal em cólica, distensão, vômitos (fecaloides em fases tardias) e parada de eliminação de flatus e fezes.
- Laboratório: Hemograma, eletrólitos, lactato e gasometria são cruciais para rastrear sinais de isquemia ou necrose (leucocitose importante, acidose metabólica).
- Imagem: A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome com contraste venoso substituiu o raio-X simples como padrão-ouro. A TC identifica o ponto de transição (zona de calibres distintos), o grau de obstrução, a presença de sofrimento de alça (espessamento parietal, pneumatose, gás no sistema porta) e descarta outras etiologias (hérnias internas, neoplasias).
Estratégias de Tratamento
O manejo da obstrução por bridas sofreu uma evolução paradigmática, distanciando-se de intervenções intempestivas em favor de protocolos baseados em evidências.
1. Tratamento Conservador (Não Operatório)
Na ausência de sinais de isquemia intestinal, perfuração ou peritonite localizada, a conduta inicial deve ser conservadora:
- Jejum (NPO) e descompressão com Sonda Nasogástrica (SNG).
- Ressuscitação volêmica vigorosa e correção de distúrbios hidroeletrolíticos.
- Protocolo com Contraste Hidrossolúvel: A administração de contraste hiperosmolar (ex: Gastrografin) via SNG não possui apenas valor diagnóstico (avaliar se o contraste atinge o cólon em 24h), mas também efeito terapêutico. A hiperosmolaridade atrai líquido para a luz intestinal, reduzindo o edema da parede e estimulando o peristaltismo, resolvendo o quadro obstrutivo em uma parcela significativa dos casos.
2. Tratamento Cirúrgico: O Timing Ideal
A falha do tratamento conservador (geralmente avaliada após 48 a 72 horas) ou o surgimento de sinais de alarme (taquicardia, febre, irritação peritoneal, acidose) indicam cirurgia de urgência.
- Laparotomia vs. Laparoscopia: A via aberta continua sendo o padrão em pacientes com múltiplas cirurgias prévias ou grande distensão abdominal. A abordagem laparoscópica é excelente em mãos experientes, mas reserva-se a casos selecionados (ex: suspeita de brida única, distensão moderada), exigindo extrema cautela na introdução do primeiro trocarte (técnica aberta de Hasson) para evitar enterotomias iatrogênicas.
- O Ato Cirúrgico: A lise de aderências deve ser restrita ao necessário para resolver a obstrução. Múltiplas enterólises desnecessárias aumentam o risco de lesões e a formação de novas bridas. Em caso de necrose, a ressecção do segmento isquêmico com anastomose primária ou estomia (a depender da estabilidade hemodinâmica) é imperativa.
Pontos-Chave para a Prática Diária
- Suspeição de Isquemia: Dor refratária a analgésicos, taquicardia inexplicada e acidose metabólica são gritos de socorro de uma alça intestinal isquêmica. O tratamento conservador é contraindicado.
- O Valor da TC: A tomografia não apenas confirma o diagnóstico, mas é o farol que guia a decisão entre a enfermaria e o centro cirúrgico.
- Prevenção Primária: O uso de barreiras antiaderentes ainda carece de evidências universais robustas, mas a técnica cirúrgica apurada, manipulação tecidual delicada e controle rigoroso da hemostasia continuam sendo a melhor profilaxia.
Conclusões Aplicadas
O tratamento da obstrução intestinal por bridas é a quintessência do bom senso cirúrgico. O cirurgião moderno deve possuir a paciência de um clínico para conduzir o tratamento conservador respaldado pelo contraste hidrossolúvel e, simultaneamente, a assertividade de um intervencionista para indicar a sala de cirurgia ao primeiro sinal de estrangulamento.Compreender que “operar a radiografia” é um erro crasso e que a reavaliação clínica seriada (de preferência pelo mesmo examinador) é a bússola do tratamento, molda o profissional de excelência que minimiza ressecções intestinais desnecessárias e reduz a morbidade pós-operatória.
“Na obstrução intestinal aguda, não deixe o sol se pôr ou nascer sobre o paciente sem uma decisão. Mas lembre-se: a cirurgia sem indicação precipita o desastre que buscava evitar.” — Aforismo clássico derivado dos ensinamentos de Sir Zachary Cope, pioneiro no estudo e diagnóstico do abdome agudo.
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