SBAR

Como esta Ferramenta de Comunicação Pode Reduzir Complicações Pós-operatórias em 30%

A comunicação eficaz é um pilar fundamental na prática médica, especialmente no campo da cirurgia digestiva. Estudos recentes mostram que falhas de comunicação contribuem para até 70% dos eventos adversos em ambiente hospitalar. No Brasil, estima-se que erros médicos sejam responsáveis por cerca de 100 mil mortes anuais, segundo dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Este artigo explorará como a ferramenta SBAR (Situation, Background, Assessment, Recommendation) pode ser aplicada no contexto da cirurgia digestiva, visando melhorar resultados e segurança do paciente.

Prof. Dr. Ozimo Gama
Et Fortior

A SBAR é uma ferramenta de comunicação estruturada que visa padronizar e aprimorar a transmissão de informações críticas entre profissionais de saúde. Originalmente desenvolvida para uso militar em submarinos, foi adaptada para o contexto médico em 2002 pelo Dr. Michael Leonard e seus colegas no Kaiser Permanente, nos Estados Unidos.

Os componentes da SBAR são:

  1. Situação (S): Identificação clara do problema atual.
  2. Background (B): Breve contexto relevante do paciente.
  3. Avaliação (A): Análise da situação pelo profissional.
  4. Recomendação (R): Sugestão de ação ou plano de cuidado.

A implementação da SBAR tem mostrado resultados promissores. Um estudo realizado nos EUA demonstrou que as falhas de comunicação na transição de cuidados estão na raiz de 30% das acusações de erros médicos, causando mais de 1.700 mortes em cinco anos e correspondendo a US$ 1,7 bilhões em custos de processos por negligência.

Aplicação na Cirurgia Digestiva | Na cirurgia digestiva, a SBAR pode ser particularmente útil em várias situações:

  1. Handoff pré-operatório: Transferência de informações do cirurgião para a equipe de anestesia e enfermagem.
  2. Comunicação intraoperatória: Relato de achados cirúrgicos importantes ou complicações.
  3. Transição para a unidade de recuperação pós-anestésica (URPA): Transmissão de informações críticas sobre o procedimento e cuidados pós-operatórios imediatos.
  4. Rounds multidisciplinares: Discussão estruturada sobre o progresso do paciente e plano de tratamento.

Um estudo brasileiro realizado em um hospital de São Paulo mostrou que a implementação da SBAR reduziu o tempo médio de passagem de plantão de 53 para 38 minutos, aumentando a eficiência sem comprometer a qualidade das informações transmitidas.

EXEMPLIFICANDO

S (Situação): “Dra. Silva, sou o Dr. João, residente de cirurgia. Estou prestes a encaminhar o paciente Carlos Oliveira, 35 anos, para a sala de cirurgia para uma apendicectomia laparoscópica. Preciso alertá-la sobre uma importante informação de segurança do paciente.”

B (Background – Histórico): “O Sr. Oliveira deu entrada no pronto-socorro há 6 horas com dor abdominal em fossa ilíaca direita, febre e leucocitose. O diagnóstico de apendicite aguda foi confirmado por tomografia. Ele não tem outras comorbidades significativas, mas tem um histórico relevante de alergia medicamentosa.”

A (Avaliação): “Durante a avaliação pré-anestésica, foi identificado que o paciente tem alergia grave à dipirona. Em uma exposição anterior, ele desenvolveu anafilaxia. Considero esta informação crítica para o manejo perioperatório da dor.”

R (Recomendação): “Registrei de forma destacada no prontuário e sinalizamos com a pulseira do paciente a alergia à dipirona. Sugiro que utilizemos protocolos alternativos para manejo da dor, como o uso de anti-inflamatórios não esteroidais ou opioides. Por gentileza alerte também a equipe de enfermagem sobre esta alergia antes do início do procedimento.”

Pontos-chave:

  1. Padronização da comunicação: Reduz variabilidade e potenciais erros.
  2. Foco em informações críticas: Prioriza dados relevantes para tomada de decisão.
  3. Promoção do pensamento crítico: Encoraja a avaliação e recomendação pelo profissional.
  4. Redução de barreiras hierárquicas: Facilita a comunicação entre diferentes níveis profissionais.
  5. Melhoria na eficiência: Otimiza o tempo gasto em transições de cuidado.

Conclusões aplicadas à prática do cirurgião digestivo:

A adoção da SBAR na cirurgia digestiva pode ter um impacto significativo na redução de complicações pós-operatórias e na melhoria dos desfechos clínicos. Cirurgiões digestivos devem:

  1. Implementar a SBAR em todas as transições de cuidado, desde a admissão até a alta hospitalar.
  2. Treinar toda a equipe cirúrgica no uso consistente da ferramenta.
  3. Utilizar formulários padronizados baseados na SBAR para documentação.
  4. Realizar auditorias regulares para avaliar a adesão e eficácia da implementação.

Ao incorporar a SBAR em sua prática diária, cirurgiões digestivos podem não apenas melhorar a segurança do paciente, mas também criar um ambiente de trabalho mais eficiente e colaborativo. A comunicação estruturada é uma habilidade que deve ser cultivada e aprimorada continuamente ao longo da carreira médica.

“A maior dificuldade na comunicação é a ilusão de que ela foi alcançada.” – George Bernard Shaw

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