Semiologia Abdominal: do exame físico ao raciocínio cirúrgico

Um capítulo especial para residentes de cirurgia geral e do aparelho digestivo

Há uma cena que todo cirurgião conhece. É madrugada, o plantão está cheio, a tomografia ainda não saiu, e o paciente com dor abdominal espera na maca. Nesse intervalo, o que decide o caminho são as mãos do examinador, os olhos treinados e um raciocínio que transforma achados em probabilidades.

Escrevi este capítulo para esse momento.

Por que mais um texto sobre semiologia?

Porque a semiologia abdominal costuma ser ensinada como uma coleção de nomes próprios, sinais decorados para a prova e esquecidos no plantão. Este capítulo segue outro caminho. Adota a estrutura da série The Rational Clinical Examination, do JAMA, e cada manobra responde a três perguntas:

  • Como se faz, passo a passo, com a figura correspondente.
  • O que significa: a anatomia e a fisiopatologia por trás do achado.
  • Quanto vale: o quanto o resultado aumenta ou diminui a probabilidade de doença cirúrgica.

O objetivo não é acumular sinais. É saber quais deles mudam a conduta.

O que você vai encontrar

São quatorze blocos que acompanham a sequência real do exame e do raciocínio:

  • Anatomia de superfície e as bases neurológicas da dor abdominal.
  • Inspeção, ausculta, percussão e palpação, com os pontos e manobras clássicos.
  • Ascite e região inguinocrural, incluindo a manobra de Landívar e a classificação de Nyhus.
  • Exame anorretal.
  • As grandes síndromes cirúrgicas: apendicite, colecistite, pancreatite, obstrução e perfuração.
  • Os sinais de alarme de neoplasia, do nódulo de Virchow ao da Irmã Maria José.
  • O exame do abdome no pós-operatório.

Os nomes por trás dos sinais

Cada epônimo ganhou uma caixa com a biografia do médico que o descreveu e o trabalho que deu origem ao sinal. São mais de sessenta histórias. McBurney, Blumberg, Murphy, Rovsing, Courvoisier e Cullen convivem com nomes da tradição brasileira e latino-americana, como Torres Homem e Lemos Torres. Alguns desses nomes ficaram só no epônimo e quase não deixaram rastro documentado.

Para quem é

Para o residente que quer chegar à sala de emergência sabendo examinar e não apenas pedir exames. Para o preceptor que precisa de um roteiro de ensino com base em evidência. E para o cirurgião experiente que gosta de revisitar a origem do que faz todos os dias.

Uma palavra final

A imagem ficou indispensável, mas não substitui o exame. Ela responde à pergunta que o exame soube formular. Quem examina bem pede menos exames, opera na hora certa e erra menos.

Boa leitura e bons plantões.

Prof. Dr. Ozimo Gama The Surgeon

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