CUSTO E VALOR NA HERNIOPLASTIA INGUINAL: O QUE REALMENTE IMPORTA PARA O PACIENTE E PARA O SISTEMA DE SAÚDE

Introdução

A discussão sobre “qual é a melhor técnica de hernioplastia inguinal” não pode ser feita apenas com base em recidiva ou complicações.
No cenário atual de restrição de recursos e busca por eficiência, o valor cirúrgico importa tanto quanto o desfecho clínico.

Segundo o modelo clássico de Michael Porter, Valor = Qualidade / Custo.
Quando os resultados clínicos entre técnicas são equivalentes, quem determina o valor final é o custo total envolvido — variável e fixo.

O estudo analisado comparou 100 procedimentos consecutivos em cada modalidade:

  • Hernioplastia aberta
  • Laparoscópica
  • Robótica

A seguir, o que realmente importa quando comparamos custo, eficiência e valor em cada abordagem.


1. Entendendo Custos: Variáveis × Fixos

1.1. Custos variáveis (por caso)

Incluem:

  • Materiais descartáveis
  • Mão de obra direta
  • Overhead variável por procedimento

Resultados:

  • Laparoscópica: 1,02× o custo da aberta (diferença não significativa).
  • Robótica: 2,11× o custo da aberta e 2,06× o custo da laparoscópica (P < 0,001).

Ou seja: a laparoscopia custa praticamente o mesmo que a aberta, mas a robótica mais que dobra o custo.


1.2. Custos fixos (capital + manutenção)

Incluem:

  • Torre laparoscópica
  • Robô cirúrgico
  • Contratos de manutenção
  • Amortização por caso

Quando esses custos entram na conta:

  • Laparoscópica: 1,03× o custo da aberta
  • Robótica: 3,18× o custo da aberta

A robótica triplica o custo total da operação.


2. O Impacto no Valor Cirúrgico

Se assumirmos que as taxas de recidiva são equivalentes (o que os dados atuais sustentam para as três técnicas), então:

  • Laparoscopia → reduz o valor do procedimento em apenas 2–3%, o que é compensado por:
    • menos dor
    • retorno mais rápido às atividades
    • melhor satisfação do paciente

Com isso, a laparoscopia entrega mais valor ao paciente do que a via aberta.

  • Robótica → reduz o valor em:
    • 53% quando analisado apenas custo variável
    • 69% quando incluídos custo fixo + manutenção

O principal fator destruidor de valor é o custo incremental da tecnologia, sem ganho proporcional em desfecho.


3. O Que Isso Significa na Prática?

A. Hernioplastia aberta

  • Custo menor
    – Pior recuperação e mais dor em muitos casos
    = Valor intermediário

B. Hernioplastia laparoscópica

  • Mesma taxa de recidiva
  • Melhores resultados relatados pelo paciente
  • Custos semelhantes à aberta
    = Maior valor

C. Hernioplastia robótica

  • Conforto operatório (para o cirurgião)
  • Ergonomia superior
    – Sem benefícios clínicos comprovados ao paciente
    – 3× mais cara
    = Menor valor global

4. Conclusão: Qual Técnica Oferece Mais Valor?

Com base na melhor evidência disponível:

  • A laparoscopia é a técnica com melhor relação custo-benefício, entregando mais valor ao paciente.
  • A via aberta permanece adequada em cenários de baixo recurso ou limitação técnica.
  • A robótica, apesar de tecnologicamente avançada, não aumenta o valor cirúrgico, pois aumenta custos sem melhorar resultados.

Em uma era de medicina baseada em valor, mais tecnologia não significa melhor cuidado — especialmente quando o resultado final esperado (baixa recidiva) é o mesmo.


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