A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) tem sido estudada como uma potencial intervenção para reduzir a gravidade da pancreatite aguda biliar (AP). Contudo, diversas pesquisas sugerem que seu benefício é limitado a cenários clínicos específicos. Este artigo tem como objetivo explorar o papel da CPRE na pancreatite biliar, com base nas evidências mais recentes.
CPRE na Pancreatite Biliar Leve
Para pacientes com pancreatite biliar leve, estudos demonstram que a CPRE não traz benefícios significativos na redução da gravidade ou complicações da doença. Um estudo multicêntrico randomizado não encontrou vantagens na realização de CPRE urgente com esfinterotomia em comparação ao manejo conservador nesses pacientes.88,101 Portanto, a intervenção precoce com CPRE não é recomendada para casos de pancreatite biliar leve, com a prática de manejo conservador prevalecendo como a mais indicada.
CPRE na Pancreatite Biliar Grave
A CPRE também foi avaliada em pacientes com pancreatite biliar grave, mas os resultados não sustentam seu uso de rotina. Em um ensaio clínico multicêntrico, pacientes com pancreatite biliar grave, sem sinais de colangite, foram submetidos a CPRE urgente com esfinterotomia versus manejo conservador. Os resultados mostraram que a CPRE urgente não reduziu significativamente as complicações principais ou a mortalidade (38% no grupo CPRE vs 44% no grupo conservador).102 Esses achados indicam que, em pacientes com pancreatite biliar grave, sem colangite, o manejo conservador deve ser preferido.
Em outro estudo, os pesquisadores avaliaram a CPRE em pacientes com pancreatite grave e confirmação de cálculos ou lama biliar no ducto biliar comum por ultrassonografia endoscópica (EUS). Os resultados, novamente, mostraram que a CPRE com esfinterotomia não reduziu a mortalidade ou as principais complicações em comparação ao tratamento conservador em seis meses.103
Indicações Atuais da CPRE na Pancreatite Biliar
Com base nas evidências disponíveis, as diretrizes atuais recomendam que a CPRE não seja realizada de forma rotineira em casos de pancreatite biliar, independentemente da gravidade, na ausência de colangite.23
Contudo, a CPRE tem um papel crucial em dois cenários específicos:
- Colangite associada à pancreatite: A CPRE deve ser realizada urgentemente quando há suspeita ou confirmação de colangite concomitante.
- Coledocolitíase sintomática ou persistente: Nos casos de cálculos biliares no ducto biliar comum (coledocolitíase) que causam sintomas persistentes ou em pacientes sem resolução espontânea da obstrução, a CPRE é indicada eletivamente.
Conclusões
A CPRE tem um papel limitado no manejo da pancreatite biliar, sendo indicada apenas em casos de colangite ou coledocolitíase sintomática. Nos demais casos, o manejo conservador é preferível, conforme demonstrado por estudos recentes e as diretrizes atuais. Com esses achados, a CPRE deve ser utilizada de forma seletiva e com base em critérios clínicos rigorosos, evitando o uso desnecessário dessa intervenção em pacientes que podem ser manejados de forma conservadora.
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