Morfofisiopatologia da Obesidade: Entendendo a Complexidade desta Epidemia

Introdução

A obesidade é uma condição médica complexa que tem se tornado uma epidemia global. Até recentemente, a obesidade não era reconhecida como uma doença, o que dificultava o tratamento adequado e a compensação dos médicos pelos cuidados prestados. Em 2013, a American Medical Association (AMA) reconheceu oficialmente a obesidade como uma doença, e em 2014, aprovou uma resolução para defender o acesso dos pacientes a um tratamento abrangente baseado em evidências, incluindo intervenções cirúrgicas.

Definição e Magnitude do Problema

A obesidade mórbida é definida como um índice de massa corporal (IMC) de 40 kg/m² ou mais. Esse critério é amplamente aceito internacionalmente. Nos Estados Unidos, cerca de 40% da população adulta é obesa, e a prevalência entre adolescentes é de 18,5%, segundo a National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES). No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que 20,3% da população adulta é obesa.

Epidemiologia e Impacto Global

Desde 1975, a obesidade tem aumentado em crianças e adolescentes em várias regiões do mundo. Nos países de alta renda, o aumento do IMC tem se estabilizado desde 2000, mas permanece alto. Em contrapartida, na Ásia Oriental, Meridional e Sudeste Asiático, o aumento tem acelerado, devendo ultrapassar a desnutrição moderada a severa nessas áreas até 2022.

A obesidade mórbida está associada a uma redução de 12,4% na expectativa de vida de um homem de 40 anos, ou 9,1 anos de vida perdidos. Nos Estados Unidos, a obesidade custa cerca de 147 bilhões de dólares por ano em despesas médicas, representando 9% dos gastos anuais.

Fatores Genéticos e Fisiopatológicos

A obesidade severa é multifatorial, com uma base genética significativa. Há predisposição familiar, e genes específicos, como o gene FTO e o gene MC4R, estão associados ao controle do comportamento alimentar e ao gasto energético. A microbiota intestinal também desempenha um papel crucial no metabolismo e no sistema imunológico. Estudos demonstram que alterações na microbiota, causadas por mudanças no estilo de vida e uso de antibióticos, podem predispor à obesidade.

Mecanismos Hormonais e Epigenéticos

Os hormônios, peptídeos e aferentes vagais para o cérebro influenciam a saciedade, o apetite e a ingestão energética. A grelina, conhecida como hormônio da fome, aumenta a ingestão alimentar e é produzida em maior quantidade após dietas de baixa caloria, possivelmente explicando a falha de muitas dietas após seis meses.

Interações gene-ambiente podem causar mudanças hereditárias na função genética sem modificação das sequências de DNA, contribuindo para a obesidade.

Problemas Médicos Associados

A obesidade está associada a várias condições médicas, incluindo artrite, apneia do sono, asma, hipertensão, diabetes e refluxo gastroesofágico. O aumento da obesidade também está ligado ao aumento do risco de cânceres, como de tireoide, cólon, esôfago, estômago, rim, próstata, vesícula biliar, pâncreas, mama, endométrio, ovários e colo do útero.

Conclusão

A obesidade é uma doença complexa com múltiplos fatores genéticos, fisiológicos e ambientais. Entender sua patofisiologia é crucial para desenvolver estratégias eficazes de prevenção e tratamento.

Nota Histórica

“O estudo da obesidade é uma janela para compreender a complexidade do corpo humano e a interação entre genes e ambiente.” – Sir William Osler

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