A colecistectomia laparoscópica é um procedimento amplamente adotado, mas que, infelizmente, apresenta uma taxa aumentada de lesões biliares em comparação com a colecistectomia aberta. Mesmo após mais de uma década desde sua introdução nos Estados Unidos, a lesão do ducto biliar continua a ser um problema significativo, ocorrendo até mesmo em cirurgiões experientes e altamente competentes. Este artigo aborda a importância da “Visão Crítica de Segurança” na prevenção dessas lesões, oferecendo insights valiosos para estudantes de medicina, residentes de cirurgia geral e pós-graduandos em cirurgia do aparelho digestivo.
A Complexidade das Lesões Biliares
As lesões biliares durante a colecistectomia laparoscópica geralmente resultam de erros de visualização durante a dissecção. Um dos métodos originais para identificar o ducto cístico envolve a técnica “infundibular”, onde o ducto cístico é dissecado nos aspectos anterior e posterior do triângulo de Calot. No entanto, essa técnica pode levar à identificação errônea do ducto biliar comum como o ducto cístico, especialmente em casos de colecistite aguda, onde o ducto cístico pode estar oculto sob uma massa inflamatória.

Técnica da Visão Crítica de Segurança
A “Visão Crítica de Segurança” é uma técnica alternativa que visa clarear completamente o triângulo de Calot de tecido fibroso e gorduroso, de modo que as únicas estruturas visíveis sejam o ducto cístico e a artéria cística. Após essa dissecção, a base do fígado (segmento IV) deve ser visível, sem outras estruturas atravessando em direção à vesícula biliar. Se isso não puder ser alcançado, a dissecção deve ser interrompida e a colangiografia deve ser realizada para definir a anatomia, ou a cirurgia deve ser convertida para uma colecistectomia aberta.


Importância da Colangiografia Intraoperatória (CIO)
A CIO é uma ferramenta crucial na prevenção de lesões biliares, pois permite a visualização clara da anatomia biliar. No entanto, se a dissecção inicial isola erroneamente o ducto biliar comum, a CIO pode resultar em uma coledocotomia desnecessária. É vital que o cirurgião interprete corretamente a CIO, visualizando todos os ductos proximais para evitar a ligadura errônea do ducto biliar comum.

Prática Segura e Prevenção de Lesões
Dissecar cuidadosamente a junção do pescoço da vesícula biliar com o ducto cístico é o fator mais importante para definir a anatomia e prevenir lesões biliares. A técnica da “Visão Crítica de Segurança” minimiza o risco de lesão inadvertida ao garantir que apenas o ducto cístico e a artéria cística estejam presentes no triângulo de Calot antes de qualquer corte.
Conclusão
Adotar a “Visão Crítica de Segurança” na colecistectomia laparoscópica é fundamental para reduzir as taxas de lesões biliares. Esta técnica garante uma identificação precisa da anatomia, evitando erros técnicos comuns que podem levar a complicações graves. A vigilância contínua e a adaptabilidade dos cirurgiões são essenciais para a implementação dessas estratégias preventivas.
Nas palavras de Sir William Osler, “O bom médico trata a doença; o grande médico trata o paciente que tem a doença.” À medida que buscamos prevenir lesões no ducto biliar, lembremo-nos da importância da precisão e vigilância em cada procedimento cirúrgico.
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