Arquivos Diários: 3 janeiro, 2022

Obstrução Intestinal por ADERÊNCIAS pós-operatórias

A obstrução intestinal ocorre quando a propulsão do conteúdo entérico em direção ao ânus sofre interferência. Há vários critérios para classificá-la: quanto ao nível (delgado alto e baixo ou cólon), quanto ao grau (completa, incompleta – suboclusão ou “alça fechada”), quanto ao estado de circulação sangüínea (simples ou estrangulada), quanto ao tipo de evolução (aguda ou crônica) e quanto à natureza da obstrução (mecânica, vascular ou funcional). Ao que se a figura, em torno de 20% das cirurgias por quadros de abdome agudo são de pacientes com obstrução intestinal. Atualmente, as aderências pós-operatórias são a principal causa em todas os grupos etários. Hérnia inguinal estrangulada, outrora causa mais comum, figura em segundo lugar, seguida de neoplasia intestinal. Esses três agentes etiológicos respondem por mais de 80% de todas as obstruções.

QUADRO CLÍNICO

Os sintomas cardinais são: dor, náuseas e vômitos, parada da eliminação de gases e fezes com distensão abdominal, sendo que esta manifestação ocorre mais tarde. A dor é tipicamente em cólica, de início brusco, em salva, ocorrendo a intervalos regulares, de localização epigástrica, periumbilical ou hipogástrica, dependendo do nível da obstrução. Se a dor se tornar contínua, localizada ou difusa nos intervalos entre as cólicas, é grande a suspeita de comprometimento vascular, ou seja, isquemia intestinal. Nas obstruções mecânicas altas os vômitos são freqüentes, surgem precocemente e são constituídos de material estagnado e de aspecto bilioso; nas obstruções de cólon as náuseas e vômitos podem inexistir. Na obstrução mecânica os sintomas de obstipação são tardios. A parada total da eliminação de gases e fezes é o apanágio da obstrução completa. Na suboclusão, o paciente pode continuar eliminando gases. A distensão abdominal pode surgir algumas horas depois de iniciados os sintomas, em função do nível de obstrução, sendo ausente ou discreta nas oclusões altas do intestino delgado, intensa e precoce nas baixas e mais tardias nas obstruções do cólon.

EXAME FÍSICO

O exame físico nas primeiras 24 horas pode revelar pouquíssimos achados anormais, a não ser durante os períodos de cólica, os sinais vitais mantêm-se normais, e a desidratação e distensão ainda não são pronunciadas. Há defesa de parede durante a palpação, e a descoberta de massa ou área restrita de dor é sugestiva de estrangulamento. A ausculta é de grande valor, pois o abdome é silencioso, exceto nos ataques de cólica, nos quais os ruídos são altos, agudos e metálicos. Em torno do segundo ou terceiro dia a doença agrava-se visivelmente, quando a desidratação e a distensão estão acentuadas e os sinais vitais se alteram, apesar da obstrução simples só acarretar choque tardiamente.

PROPEDÊUTICA

Podem ser feitos exames complementares não só para o diagnóstico, como também para terapêutica. Exemplo disto é o tratamento do volvo de sigmóide com o auxílio da retossigmoidoscopia ou colonoscopia pela passagem, sob visão direta, de sonda além da zona de torção. A radiografia do abdome e a Tomografia Computadorizada é fundamental para confirmação diagnóstica, melhor compreensão dos dados clínicos e também pode ajudar a elucidar etiologias. Os exames laboratoriais, permitem avaliar o grau e tipo de desequilíbrio metabólico, o que será fundamental para a terapêutica, definindo se há ou não sofrimento vascular.

TRATAMENTO

Os princípios da terapêutica são a reposição de líquidos e eletrólitos, a descompressão do intestino e a intervenção cirúrgica no momento adequado. Absolutamente todos os pacientes com obstrução intestinal COMPLETA, devem ser operados. Há 5 categorias de manobras cirúrgicas: extraluminares, enterotomia para retirada de corpos estranhos da luz, ressecção intestinal, operações de desvio de trânsito e operações de descompressão. Pelo fato de ser intervenção cirúrgica de urgência, as complicações pós-operatórias são mais freqüentes. As mais observadas são: infecção de parede, íleo prolongado, sepse, complicações pulmonares e infecção urinária.

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Referências Bibliográficas

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